sexta-feira, 30 de março de 2007

Tektónica

É a feira dedicada aos materiais e tecnologias de construção. Local ideal para se apreciar as últimas novidades do mundo dos revestimentos, grés, materiais de cozinha e casa-de-banho, lareiras, aproveitamento de energias renováveis, domótica, e mais uma grande carrada de cangalhada e geringonças.
É também a feira com maior número de stands equipados com máquina de imperial, pelo que se recomenda uma visita, independentemente do interesse pela temática do tijolo.
Começou no passado dia 27 e acaba no dia 1, na FIL.

Modernices

Com o sol a raiar, de manhã, na lezíria, decidi ir de mota para Lisboa. Não é um percurso que me dê especial prazer em fazer, e sai bem mais caro que o comboio, mas seria uma compensação pelo passeio falhado do último fim-de-semana, e uma forma de fugir à rotina do dia-a-dia.
Resolvi também testar uma funcionalidade de uma engenhoca que tenho há cerca de um ano, mas à qual ainda não tinha dado o devido uso. Estou a falar da ligação do telemóvel e do i-pod aos intercomunicadores, a qual permite ouvir música, alegadamente em condições hi-fi, bem como falar ao telemóvel, tudo em comodidade, segurança e na devida legalidade, isto é claro enquanto se anda de mota.
Já tinha utilizado este aparelho na sua função básica de comunicação entre condutor e pendura, tendo confirmado então que esta possibilidade traz, só por si, um grande aumento no prazer de fazer uma viagem de mota, quando acompanhado. Foi de facto uma nova experiência, a Mrs. Crama comunicar comigo (em cima de uma mota) sem ser com recurso a beliscões e murros no capacete.
Quanto à capacidade de ouvir música e andar de mota ao mesmo tempo confesso que estava um pouco céptico, e com receio do que poderia resultar da mistura de TV on the Radio nos ouvidos, e 150 cavalos na mão direita, mas o resultado foi bem agradável e até mesmo inesperado. O som é de facto muito bom, mas com o aumento da velocidade há tendência para ir sendo abafado pelo ruído do capacete, principalmente nas baixas frequências, pelo que se torna num convite permanente à circulação a velocidades moderadas. Acho que nunca demorei tanto tempo a fazer o percurso de auto-estrada entre o Carregado e Lisboa. Antes assim, pois vim literalmente a abanar o capacete, e ainda poupei combustível.
Já a chegar a Lisboa: trrimm. Sem parar – “Estou sim. É o próprio. Ah está atrasado 10 minutos! Hoje não me vou zangar consigo porque assim dou mais uma voltinha para ouvir uma dos Interpol. Não está a compreender? Depois eu explico. Até já.”.
De referir que quando se fala, ou quando entra uma chamada telefónica, os intercomunicadores, baixam automaticamente o volume da música para um nível que não perturba a conversação. De mencionar ainda que também é possível ligar um walkie-talkie e efectuar conversações com uma ou mais motas com equipamentos compatíveis, ou utilizar uma das entradas para ligar um aparelho GPS e ouvir assim as indicações dadas por este.
Isto sim é que é, como diria o Bruninho: perfeito, perfeito.
Portanto, para os motards que lêem este blog, aqui fica o veredicto. Para uma utilização a solo é altamente recomendado, para quem gosta de dar passeios, ou fazer viagens, com pendura é praticamente obrigatório.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Esta tenho a certeza que deixa os passarinhos bem dispostos

De tempos a tempos, dou com uma daquelas músicas que catalogo como de "Músicas Prozac". São músicas que me deixam bem disposto, com vontade abanar o esqueleto, ajudar ceguinhos a atravessar a rua e a dar beijos a velhinhas. A última vez que isto me aconteceu foi com a We're from Barcelona, dos I'm from Barcelona.
Depois de passar o efeito Prozac, questiono-me se aparecerá outra com com estas características.
E não é que aparecem!
Neste momento, ando com esta aqui de baixo em modo repeat no mp3.
Chego a pensar que são músicas encomendadas pelo Sócrates, para nos anestesiar dos efeitos da governação.
Querem fechar o Centro de Saúde? 1,8% de aumento? Mais impostos?
Quero lá saber. Eu quero é ser como a Grace Kelly.
Experimentem e digam-me se também sentem isso, ou se é mesmo a Mrs. Crama que me põe os Prozacs na comida.

Pé frio

Está provado.
Não posso assistir a um jogo de futebol de uma equipa que eu quero que ganhe.
Sábado passado, nem me lembrei que Portugal jogava com a Bélgica, e o que é que deu? 4-0, o melhor jogo desta fase de apuramento e um golão do Quaresma. O que me vale é o Youtube.
19:00 horas, um colega entra no gabinete: “Não se esqueça que hoje há jogo!”
Nem bateu no chão. Ala que se faz tarde.
Chego a casa, ligo a televisão: Sérvia 1 – Portugal 1.
Porra, já perdi dois golos, mas pelos vistos deve estar a ser um bom jogo.
Sim, e o branco dos dentes do Portas também deve ser natural.
Mas eu já devia saber. Também é sempre assim com o Sporting.
O que vale é que isto resulta na inversa proporcionalidade quando vejo jogos de equipas adversárias. Então na Luz é certinho. Sempre que lá vou, tungas. Não falha. Na melhor das hipóteses dá empate.
É uma bela forma de se passar uma noite. Juro-vos. Ir à bola a convite de benfiquistas, com direito a camarote, jantar, bar aberto e ver o Benfica ser aviado. Hão-de experimentar. O mais difícil é manter uma cara séria: “A sério, nem jogaram tão mal assim. Tiveram é azar…”. E cá para mim: “… em me convidarem”.
Agora, ando é com um problema complicado.
Devido à exposição prolongada da Catarina à propaganda avermelhada, e perante indícios de que se pode estar a atingir um ponto de não retorno, torna-se urgente levá-la a esse magnífico estádio que é a casa do leão, para lhe mostrar a grandiosidade do Sporting.
Compreendem agora o meu problema?
Portanto, deixo aqui uma pergunta ao Paulo Bento, que sei que lê este blog:
“Paulo, com sinceridade, no dia 2, achas que dá para ganhar ao Beira-Mar?
Mesmo com o maior pé frio nas bancadas?
Vê lá, estamos a falar do futuro de uma criança!”

PS – Pinto, não achas melhor levares a Margarida?

terça-feira, 27 de março de 2007

A Lista de Schindler, de Thomas Kenealley

Depois de Paul Auster, Thomas Kenealley é o senhor que se segue.
Apesar de (ainda) não ter visto o filme do Steven Spielberg, sei que este é um livro sobre factos verídicos, e que conta a história de Oskar Schindler, industrial alemão que se empenhou em salvar judeus dos campos de concentração nazi, durante a 2ª guerra mundial.
Vencedor do prémio Booker em 1982, será com certeza uma boa companhia para os próximos dias.
A ler vamos…

SBSR - Actualização

Começam-me a faltar adjectivos para descrever este cartaz.
As últimas aquisições confirmadas são os portugueses Mundo Cão, o mestre Joe Satriani e os escoceses Jesus and Mary Chain.

Act 1 - 28/06 - Metallica + Mastodon + Stone Sour + Joe Satriani
Act 2 - 03/07 - Bloc Party + Arcade Fire + Klaxons + The Magic Numbers + The Gift + Bunnyranch
Act 2 - 04/07 - Maxïmo Park + LCD Soundsystem + Clap Your Hands and Say Yeah + Linda Martini + The Rapture + Jesus and Mary Chain + Mundo Cão
Act 2 - 05/07 - Interpol + Scissor Sisters + Underworld + X-Wife

segunda-feira, 26 de março de 2007

Frango em cama de alecrim com picadinho gaúcho

O nome até é pomposo, mas basicamente trata-se de frango assado com salada.
Por ser um prato vulgar de Lineu, não quer dizer que mereça ser elaborado com menos empenho, e que não possa levar uns toques de sofisticação.
A utilização do alecrim no frango dá-lhe um sabor “campestre” e a salada ganha uma nova vida apresentada desta maneira.
As quantidades indicadas são para duas pessoas (e meia).

Ingredientes para o frango:

4 pernas de frango (perna + coxa)
3 dentes de alho
2 limões
1 dl de vinho branco
6 raminhos de alecrim
Azeite
Sal
Pimenta

Ingredientes para o picadinho:

2 tomates
1 cebola
1 cenoura
1 pepino
1/4 de um pimento
1 ramo de coentros
Sal
Azeite
Vinagre de vinho
Tabasco verde (opcional)

Preparação

Com pelo menos 3 horas de antecedência, tempere o frango com o sumo dos limões, o alho picado, sal e pimenta. Deixe marinar. Entretanto pique todos os ingredientes da salada em cubinhos pequenos (aproximadamente 7mm de lado). Junte os coentros também bem picados. Tempere generosamente com sal, azeite e vinagre. Junte também um pouco de tabasco verde se desejar adicionar um toque picante. Coloque no frigorífico.
Num tabuleiro de ir ao forno disponha os raminhos de alecrim, junte o alho e o líquido da marinada. Por cima, e com a parte da pele virada para cima, coloque as pernas de frango. Regue com o vinho branco e por fim com umas gotas de azeite em cada uma das pernas. Leve ao forno (previamente aquecido) à temperatura de 250º. Deixe assar até a pele do frango estar dourada e estaladiça.

domingo, 25 de março de 2007

Aguaceiros

Se há tempo detestável é o chamado “regime de aguaceiros”. É que não há nada pior do que acordar com um dia claro de sol, e perceber que afinal este é de pouca dura. É um sacana de um regime que é sonso. Não se define, nem se assume. É, por assim dizer, o Cláudio Ramos da meteorologia.
Depois há também a questão do timing dos aguaceiros. Principalmente quando se anda de mota. Por definição, um dia de aguaceiros é um dia de sol, que se torna de chuva, quando eu tenho o azar de estar a andar de mota. Acho que isto até já foi incorporado nos programas de curso da Escola Superior de Meteorologia, na cadeira de Apresentação de Boletins Meteorológicos III:
“Srs. telespectadores, amanhã vai estar um dia de sol, com excepção dos períodos em que o Crama decidir andar de mota. Estes períodos poderão ser de chuva forte, se ele se esquecer do impermeável, podendo ainda ocorrer a queda de granizo, caso o otário se esqueça do blusão.”

Linda Martini

Andamos nos treinos.

E sai uma Super Bock.

SBSR - Actualização

Nova actualização.
Mastondon, Stone Sour e The Rapture juntam-se à festa.

Act 1 - 28/06 - Metallica + Mastodon + Stone Sour
Act 2 - 03/07 - Bloc Party + Arcade Fire + Klaxons + The Magic Numbers + The Gift + Bunnyranch
Act2 - 04/07 - Maxïmo Park + LCD Soundsystem + Clap Your Hands and Say Yeah + Linda Martini + The Rapture
Act 2 - 05/07 - Interpol + Scissor Sisters + Underworld + X-Wife

Sopa de espargos à D. Genoveva

Aprendi esta receita com a D. Genoveva, daí o nome. Se alguém se sentir lesado pela designação, processem-me.
É uma boa sopa para esta altura do ano, dado que estamos em plena época do espargo selvagem.
Foi a minha ceia de hoje e estava deliciosa.

Ingredientes:

1 molho de espargos verdes (500gr)
3 cebolas pequenas (250gr)
3 batatas pequenas (180gr)
1 pacote de natas (200ml)
1 cubo de caldo de carne
Azeite
Sal
Pimenta

Preparação:

Corte a cebola às rodelas para uma panela, junte um fio generoso de azeite e deixe refogar ligeiramente. Junte os espargos e as batatas cortados em pedaços pequenos. Vá mexendo. Se começar a secar junte meio copo de água. Repita este procedimento até a batata e os espargos começarem a estar cozidos. Junte então 3 copos de água, o caldo de carne e tempere de sal e pimenta. Deixe ferver durante mais 10 minutos. Triture com a varinha mágica. Ajuste a espessura com água se necessário. Deve ficar cremosa mas não muito espessa. Deixe ferver novamente. Apague e junte o pacote de natas logo de seguida, envolvendo bem. Sirva com cubos de pão torrado.

sábado, 24 de março de 2007

Raul

Faz hoje um ano, recebi uma chamada telefónica que me deixou num estado de perplexidade do qual ainda não consegui sair.
Agora, como há um ano atrás, sou incapaz de pronunciar algo que me pareça minimamente adequado. Será que há algo adequado para se dizer? Não sei. Só sei que tenho muitas saudades do Raul.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Chèvre da Maçussa

Este fim-de-semana conto fazer uma visita ao Sr. Adolfo Henriques.
Ando com saudades de uma salada de tomate cherry com queijo chèvre.
Se quiserem saber onde, e como, se produz um dos melhores queijos de cabra vão aqui.

quinta-feira, 22 de março de 2007

SBSR - Actualização

Chego à conclusão de que há alguém que me quer ver muito feliz. Como ainda não conheço este ser caridoso, vou chamar-lhe Senhor do SBSR. Pois este senhor, que se podia encostar à sombra da bananeira depois de garantir Arcade Fire em Portugal, numa altura em que eles esgotam espectáculo atrás de espectáculo, por esse mundo fora, decidiu que não descansaria, e de anúncio em anúncio, lá anda ele, paulatinamente a tentar pôr de pé aquele que será provavelmente o melhor festival português de 2007.
Imagino-o já com uma certa idade, de cabelo grisalho, gordinho, com óculos na ponta do nariz, barbas brancas e vestindo uma indumentária patrocinada pela Super Bock, mas sempre muito activo, desmultiplicando-se em contactos para nos garantir 4 dias de excepção. Chego mesmo a pensar que este senhor é parente de um outro, também ele muito simpático, mas que tem a roupa patrocinada pela Coca-Cola.
A última do Senhor do SBSR foi ter anunciado que traria a Portugal, para esse tal festival, os Clap Your Hands and Say Yeah, bem como os tugas Linda Martini.
Se juntarmos ao que já tinha sido anunciado previamente ficamos então com:

Act 1 - 28/06 - Metallica
Act 2 - 03/07 - Bloc Party + Arcade Fire + Klaxons + The Magic Numbers + The Gift + Bunnyranch
Act2 - 04/07 - Maxïmo Park + LCD Soundsystem + Clap Your Hands and Say Yeah + Linda Martini
Act 2 - 05/07 - Interpol + Scissor Sisters + Underworld

Como sei que o Senhor do SBSR não vai ficar por aqui, e como sei que ele lê este blog, fica então este apelo:

Querido Senhor do SBSR,

Como me portei bem durante todo o ano, e bebi litros de Super Bock, queria que trouxesses ao teu festival algumas das seguintes bandas:
Radiohead, The Strokes, The Killers, TV on the Radio, Guillemots, Kings of Convenience, The Shins, Snow Patrol, The Kooks, Yo la Tengo, Franz Ferdinand, I’m from Barcelona e The Hidden Cameras. Ah! E também o Sufjan Stevens e o Rufus Wainright. Pode ser?
Já agora, também gostava de ter uma barraquinha da Super Bock só para mim lá no festival, de preferência, junto ao palco e a funcionar em regime de bar aberto. Não estou a pedir muito, pois não?
Um abraço

Crama

quarta-feira, 21 de março de 2007

Parabéns Pai

PS - Como podem constatar a falta de juízo "runs in the family".

terça-feira, 20 de março de 2007

Precisa-se (M/F)


Pendura com ou sem experiência para passeio de mota a realizar no próximo sábado.

Perfil do candidato:
Habilitações mínimas ao nível do equilíbrio.
Peso reduzido.
Boa compleição cardio-vascular.
Domínio de vocabulário vernáculo falado e gestual.
Conhecimentos de “dar joelho”.

Oferta:
Níveis de adrenalina bem acima da média.
Possibilidade de progressão na carreira.
Integração em equipa jovem e dinâmica.
Entrada imediata.

Caso reúna o perfil pretendido, poderá deixar a sua candidatura na secção de comentários deste post.

segunda-feira, 19 de março de 2007

domingo, 18 de março de 2007

Questão de prioridades

Amanhã não trabalho da parte da tarde.
Vou brincar aos pais e às filhas.

Açorda à ferroviário

Nas questões do paladar posso dizer que tenho gostos muito polivalentes, e talvez por isso não tenho um prato ao qual possa atribuir o título de “Prato favorito”. Gosto de muitas coisas sendo incapaz de as ordenar por ordem de preferência.
Existe contudo um prato que, de há um ano e meio para cá, será por ventura aquele que mais vezes me faz pensar: “Estava mesmo a apetecer-me…”. Estou a falar de açorda alentejana com sardinhas assadas.
Tornei-me grande apreciador deste prato devido a uns almoços que ocorrem sensivelmente uma vez por semana, e nos quais tenho por companhia alguns dos meus colegas de trabalho. Foi com um desses colegas, alentejano de Castro Verde, e grande incentivador desses eventos, que aprendi esta receita.
Nesses tais almoços de colegas, a atracção principal começou realmente por serem as sardinhas assadas com açorda, mas no final da época da sardinha, passámos para versões da açorda ditas de Inverno, as quais são acompanhadas por bacalhau, ou como ultimamente temos vindo a fazer, por carapaus assados.
A receita que agora aqui fica é exactamente uma das versões Outono/Inverno da açorda à ferroviário, sendo acompanhada de bacalhau.
Para quatro pessoas, os ingredientes são:
600g de pão alentejano assente
2 postas grandes de bacalhau
4 ovos
4 dentes de alho
1/2 pimento
6 colheres de sopa de azeite
4 colheres de sopa de vinagre de vinho
1 ramo de coentros
1 ramo de poejos
1 malagueta
3 litros de água
Sal q. b.
Antes de passar à fase da preparação, duas notas apenas.
As quantidades anunciadas, e até mesmo alguns dos ingredientes, devem ser encaradas meramente como sugestões. A açorda é um prato que permite inúmeras variações no que toca aos ingredientes e a sua quantidade deve ser sempre ajustada em função do paladar dos comensais. De realçar que o ajuste da intensidade de certos sabores (alho, coentros, pimento, sal, vinagre, etc) pode ser feito em qualquer altura da confecção pelo que é preferível começar com quantidades por defeito e, depois de provar, acrescentar algo que se sinta em falta.
A açorda é um prato muito fácil de confeccionar, e uma vez apurada a receita, ou a mão como se costuma dizer, prepará-la bem torna-se facilmente instintivo.
Apesar da sua simplicidade existem alguns pormenores que penso contribuem para uma açorda caprichada.
Em primeiro lugar a água. Como é óbvio qualquer água potável serve, mas com a experiência tenho reparado que águas ácidas (pH menor que 7) deixam a açorda mais fresca, saindo realçados os aromas dos temperos. É por essa razão que quando possível utilizo água mineral, normalmente do Luso ou da Serra da Estrela.
Em segundo lugar o pão. Convém ser mesmo do tipo alentejano, bem denso e “assenti”. Neste caso foi utilizado um pão de confecção caseira, que chega a estar 15 dias ao ar sem se estragar.
Por fim as ervas. Regra geral, uma açorda ou é de coentros, ou é de poejos. Eu pessoalmente, no caso de só haver uma erva, prefiro a de poejos. Acontece contudo que normalmente as açordas ferroviárias acabam por levar ambas as ervas. Novamente por uma questão de gosto pessoal, prefiro dar preponderância ao sabor a poejo, no entanto neste caso, como não disponha de muita erva deste tipo no meu canteiro, e como é raro encontrá-la à venda no supermercado, acabei por fazer uma mistura 2/3 de coentros e 1/3 de poejos. Mais uma vez realço que este prato deve ser ajustado em função das preferências de quem o vai comer.
Passemos então à confecção.
Ponha a água ao lume juntamente com o bacalhau e deixe cozer. Entretanto pise num almofariz os dentes de alho, metade (1/4) do pimento partido em pedaços pequenos, metade do molho de coentros, os poejos, duas colheres de sal e duas colheres de sopa de azeite. Deite a massa resultante para uma terrina. Acrescente os restantes coentros picados finamente, o pimento partido em cubinhos também pequenos, a malagueta em pedaços imperceptíveis (também a pode esmagar no almofariz), 4 colheres de sopa de azeite e 4 colheres de sopa de vinagre. Migue o pão em pedaços não muito grandes.
Quando o bacalhau estiver cozido retire da água, baixe o lume, e coloque os ovos a escalfar. Arranje o bacalhau em lascas retirando a pele e as espinhas.
Retire os ovos.
Coe a água e deite para a terrina onde estão os temperos. Mexa e ajuste os sabores (sal, azeite, vinagre).
Deite na terrina o pão migado. Deixe ensopar.
Sirva os pratos deitando a açorda e cobrindo com o bacalhau lascado e o ovo escalfado.

sábado, 17 de março de 2007

O corpo é que paga

Os 5 km de corrida feitos de manhã souberam-me a pouco.
Uma voltinha de bicicleta parecia-me a forma ideal de me despedir deste dia de sol primaveril.
Ela lá estava. Velhota, e com os pneus ressequidos, apesar do pouco uso que o meu sogro lhe deu. Mesmo assim, continua a ser uma boa bicicleta de corrida. Uma pequena revisão e estaria impecável, e depois, o objectivo não era bater recordes.
“Levas o telemóvel?” – Inquiriu Mrs. Crama.
“Levo lá agora o telemóvel! Vou passear e quero estar descansado!” – Respondi.
“Agora, vê lá se te espetas para aí, nalgum caminho esquisito e eu sem saber onde te procurar!” – Devolveu, sempre com aquele seu hábito de traçar os cenários mais optimistas.
“Vou tentar” – Disse já de abalada.
Saída de Vila Viçosa em direcção ao Alandroal. Os primeiros 5 km, praticamente planos, passam num instante, em ritmo de contra-relógio. A partir daí o relevo começa a tornar-se mais irregular.
Óptimo! Foi mesmo para puxar pelo cabedal que eu me meti à estrada.
As subidas são feitas em “forcing” e as descidas prego a fundo.
Km 12, numa subida já a caminho de Terena, cãibra no gémeo esquerdo. Fixe, começamos bem. Paro para fazer uma auto-massagem e sigo caminho. Na descida seguinte, em alta velocidade, começo a sentir uma vibração proveniente da roda traseira. Paro novamente e constato que o pneu desenvolveu um hematoma na zona do pipo e ameaça saltar da jante. Porreiro, era só o que me faltava.
Decidido a não abusar mais da sorte faço inversão de marcha e sigo em ritmo bastante lento.
A 10km de casa, nova cãibra, desta vez no gémeo direito. Começo a dizer mal da minha vida. Mais uma paragem, mais uma massagem. A progressão torna-se agora bastante penosa.
No cruzamento de Pardais, a 6 km de Vila Viçosa, psssss… pneu traseiro com os porcos. Palavras bonitas afloram-se-me à cabeça, juntamente com imagens do telemóvel.
E agora?
Bem, sempre podia tentar parar alguém e pedir para fazer uma chamada para me virem buscar. Rapidamente afasto esses pensamentos. Afinal de contas sou um homem, ou sou um rato! Há 10 anos vivia sem telemóvel e os problemas resolviam-se, e 6 km a pé e a empurrar uma bicicleta furada também não são nada do outro mundo.
Mesmo em situações extremas, acho que se devem manter certos princípios.
Se eu me recuso a engolir o orgulho, e não peço uma informação quando estou perdido, muito menos iria solicitar ajuda numa situação tão embaraçante.
Questões de ética por assim dizer.
E assim foi: 6km a pé, a arrastar a bicicleta e com as pernas doridas que é para não ser parvo. E não fui. Parvo, quero eu dizer. Parvo seria trocar o pneu da bicicleta e repetir tudo amanhã. Por falar nisso, sabem o que vou fazer amanhã?