
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Parto com dor
Entro no “Tomarense” e sento-me a ler. Em frente a mim, uma senhora folheia a Visão. Chama-me a atenção uma citação de António Lobo Antunes, na capa da revista. “Tinha a morte dentro de mim. E é horrível estar grávido da morte”. Fico a pensar um pouco naquelas duas frases e retomo a leitura do livro que trago na mão. Em menos de dois minutos, na página 84:
«O pai abanou a cabeça.
“Não, filho. Não compreendes.” Meteu finalmente a colher à boca. “Vivemos a vida como se ela fosse eterna, como se a morte fosse algo que só acontece aos outros e apenas nos está reservada ao fim de muito tempo, tanto tempo que nem merece a pena pensarmos nisso. Para nós, a morte não passa de uma abstracção. No entanto, eu preocupo-me com as minhas aulas e as minhas pesquisas, a tua mãe preocupa-se com a igreja e com as pessoas que vê a sofrerem no noticiário ou na novela, tu preocupas-te com o teu salário e com a mulher que já não tens e com papiros e estelas e outras relíquias cheias de irrelevâncias.” Olhou, pela janela da cozinha, para os clientes de uma esplanada, lá em baixo, na Praça do Comércio. “Sabes, as pessoas passam pela vida como sonâmbulas, preocupam-se com o que não é importante, querem ter dinheiro e notoriedade, invejam os outros e esmifram-se por coisas que não valem a pena. Levam vidas sem sentido. Limitam-se a dormir, a comer, a inventar problemas que as mantenham ocupadas. Privilegiam o acessório e esquecem o essencial.” »
Volto a olhar para a capa da revista em frente a mim e depois para as pessoas que enchem a carruagem.
Todos estamos grávidos da morte e aqui o aborto não se discute. O parto, esse será sempre com dor. Esta é uma realidade tão dura, que só em momentos de grande introspecção a conseguimos abordar. Desenvolvemos instintivamente mecanismos para a encostar lá bem no fundo do cérebro, já quase dentro do inconsciente, e assim andamos alegremente pelo nosso dia-a-dia.
Felizmente, Lobo Antunes teve apenas umas contracções e o que eu lhe desejo, é que as próximas sejam só daqui por muitos anos.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
A Fórmula de Deus, de José Rodrigues dos Santos
Ando muito preguiçoso no que toca à leitura. O mp3, as idas de carro e as raspinhas no comboio têm reduzido muito o tempo que disponho para ler. Para contrariar esta tendência estreei hoje uma das minhas prendas de anos - A Fórmula de Deus, de José Rodrigues dos Santos. Pela leitura na diagonal de meia dúzia de páginas pareceu-me ser um daqueles livros que quase se lêem sozinhos. Um "page turner" como dizem os ingleses, ou um "apanha comboios em sentido contrário só para ter mais tempo para ler" como se diz em cramalheirês. Espero bem que sim. É que sendo um calhamaço de quase 600 páginas, se não o ler rápido corro o risco de quando chegar ao fim ter um desvio na coluna.terça-feira, 25 de setembro de 2007
Finalmente
"O tenista suíço Roger Federer, líder incontestável do ranking mundial e um dos melhores tenistas de sempre, será a grande figura da 19ª edição do Estoril Open, que no próximo ano se disputará entre 14 e 20 de Abril, anunciou hoje a organização."Está na hora de alguém tirar as peneiras a este menino.
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Enolog 2007 (#6)
Já em jeito de fim de festa, registe-se só que, para além da cuba de cinquenta litros, foram ainda engarrafados 3 garrafões – dois de cinco litros e um de quatro litros – que permitirão aferir por amostragem a maturação do lote maior. O primeiro, como manda a tradição, será aberto no S. Martinho. Até lá…
Análise do vinho durante a trasfega
Cuba de estágio
domingo, 23 de setembro de 2007
Alloy Mental
Neste está a certeza.
A crítica inglesa descreveu-os como uns Nitzer Ebb em rota de colisão com os Iggy and the Stoges. A BBC referiu-se ao seu álbum de esteia como: "an inspired melding of Ulster rage, global electronics, adventure and fierce humour. Alloy Mental have fetched something unique from the smithy of their soul".O álbum é de facto cativante e pelo que tenho visto no Youtube os seus concertos são o fim do mundo em cuecas.
Fica um clip para abrir o apetite.
E eles a darem-lhe
6 Rufus Wainwright – Coliseu
7 Interpol + Blonde Redhead – Coliseu
8 Mariza – Pavilhão Atlântico
12 Seu Jorge – Coliseu
14 Bonde do Rolê – Santiago Alquimista
15 Vanessa da Matta – Coliseu
16 Editors – Pavilhão do Restelo
19 Marilyn Manson + Turbonegro – Pavilhão Atlântico
20 Jorge Palma – Coliseu
26 Josh Rouse – Aula Magna
Resumindo e baralhando, no mês de Novembro, se fosse assistir juntamente com a Mra. Crama a tudo o que desejaria, 500 euros não chegavam.Como se costuma dizer: não há fome que não dê em fartura.
Agora resta escolher...
Dá-se
E vão quatro
Descrição:
Aquário 60x60x30
Filtro: Eheim 2208 (interno)
Aquecimento: nenhum
Iluminação: Fluorescente 1x15W 10000K
Volume de água: 30 litros
pH: 7,4
Decoração: areão, duas rochas basálticas e um pedaço de madeira
Flora: Fetos de Java (Microsorum pteropus)
A Gertrudes está óptima. Ao contrário do que supus inicialmente esta rã não é uma Xenopus laevis, mas sim uma Rana perezi, uma das mais comuns na Península Ibérica.
Os dedos decepados da pata traseira estão a crescer de novo, o que foi para mim uma surpresa, pois desconhecia esta capacidade das rãs.
Desde que foi apanhada no meio da estrada, totalmente desidratada, o principal problema com que me deparei foi a sua alimentação. Comida morta, nunca a vi comer, assim como nunca a vi caçar guppies dentro de água. Para os apanhar põe-se fora de água a observar as perturbações na superfície, e quando se apercebe de um peixe dentro do seu raio de ataque, salta para dentro de água. É impressionante a velocidade do ataque, no entanto é notório que não deve ter uma grande visão, reagindo sobretudo ao movimento. Só a vi apanhar assim um jovem guppie. Recentemente encontrei um alimento e um método que me resolveram o problema de alimentação da rã. Com a ajuda de uma agulha, enfio larvas de mosca (asticot comprado em lojas de pesca) numa linha e dou directamente à rã. De tal forma está habituada ao petisco que já nem foge quando me vê a mim e ao pirralho na hora da refeição, e o ganho de peso foi notório.
Entretanto com a passagem da rã para a nova casa, a Fofinha regressou à tartarugueira. O tempo começa a arrefecer, pelo que se mantivesse o cágado no exterior corria o risco de ele hibernar. Acontece que o bicho está cada vez maior e começa a ser muito grande para o aquário. Alguém que tenha um laguinho para a Fofinha?
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Enolog 2007 (#5)
Sedentarizar ou não sedentarizar? Eis a questão
Hoje troquei a hora do almoço por um snack rápido, seis quilómetros de marcha acelerada e meia hora de leitura num pedaço de jardim à beira Tejo. E o mais que posso dizer é que essa hora foi tão agradável como a sua ideia à partida. Como se o fim-de-semana tivesse sido antecipado em seis horas, deixando-me muito mais bem disposto durante a parte da tarde.Não é difícil combater a sedentarização. Difícil é combater a apetência para a sedentarização.
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
E digo mais...
Há pessoas que deviam pagar para terem emprego.
Se as ATL´s das crianças têm de ser pagas, por que não são as dos adultos?
Haja pachorra!
É o sistema
Há dias que podem ser estúpidos por várias razões. Laboralmente falando, e regra geral, um dia estúpido é um dia em que trabalho muito e produzo pouco. Infelizmente não são assim tão poucos. Hoje foi um desses dias. Não porque o quisesse ou fizesse algo deliberado para tal. Simplesmente não deu, como muitas vezes não dá. Os chefes, os subordinados, os colegas, os fornecedores, os clientes, as orientações estratégicas (oh como está na moda esta expressão), as tramitações, a burocracia e até se calhar eu de um modo inconsciente, tudo concorre para que trabalhar, no sentido de produzir, se assemelhe ao esforço de remar contra uma corrente que muitas vezes é forte demais.









