
O que se faz com uma abóbora-porqueira?
Não perca os próximos episódios!

Memorável, simplesmente memorável, a noite de sexta-feira, no Olga Cadaval. Um concerto que superou totalmente as minhas, já de si elevadas, expectativas.
Duas grandes vozes num espectáculo tecnicamente perfeito. Um som como já não me lembrava de ouvir. Forte q.b., definido, equilibrado, sem ruídos nem feedback… excelente. O único defeito mesmo, foram aquelas cadeiras, que impossibilitaram que o publico desfrutasse como devia de ser – a dançar – e que só foram vencidas na passagem de Vídeo Killed The Rádio Star para The 80’s.
Mas comecemos pelo início. Eram dez horas (só pela pontualidade ganhou logo pontos), quando o David Fonseca, num gesto bonito, subiu ao palco para desejar as boas noites e apresentar a Rita Redshoes. Grande espectáculo também da Rita a abrir o apetite para o seu primeiro álbum a lançar brevemente. Ficamos à espera.
Finda a actuação da Rita, e quase sem quebras, entra o David pela plateia e, como os Arcade Fire, no Olympia de Paris, entoa a primeira música - Dreams In Color - no meio do público, acompanhado apenas da guitarra. Enquanto isto, os roadies acabam as montagens naquele que deve ser o mais impressionante palco de um artista português. Luzes, cinemaescope, bola de espelhos e um arranjo cuidado das colocações e das movimentações em palco fazem do concerto do David Fonseca um espectáculo com uma componente visual muito forte.
Depois da subida ao palco seguiu-se uma série quase sem quebras de 4th Chance, Our Hearts Will Beat As One, uma cover de Song To The Siren (Tim Buckley), Who are U? e Someone That Cannot Love. Um grande arranque.
A anteceder Superstars II, um momento que introduz a terceira faceta do espectáculo. Não satisfeito com as componentes som e imagem, o David, com o seu humor fácil, ainda brinda o público com “conversas” ao nível do melhor stand-up comedy nacional. A versão de Umbrella em assobio, o carteiro, os ladrões e o ferro de engomar debaixo da cama substituído pela raquete de ténis. Isto senhores, é entretenimento ao melhor nível.
Continuando com a música seguiu-se mais uma série fortíssima com Silent Void, Kiss Me, Oh Kiss Me (antecedida por mais uma relato cómico com uma empregada de hotel à mistura), Hold Still (com a Rita Redshoes novamente em destaque), Rocket Man, Disco Song e o ponto alto do concerto, o tal que fez toda a gente levantar os rabos das cadeiras, com Vídeo Killed The Rádio Star e The 80’s.
Adeus, Não Afastes Os Teus Olhos terminou o concerto, ou melhor, a primeira parte do concerto. Perante a ovação de pé, o David regressou sozinho, e depois de Eu não sei dizer(?) e de mais uma conversa, desta vez sobre discos ouvidos em noites mal dormidas, tocou covers acústicas de Billie Jean (Michael Jackson) e Fire (Bruce Springsteen). Já com a banda novamente em palco seguiu-se See The World Trough You(?), Angelsong (a primeira música escrita pelo David) e o final em apoteose com All Day And All Of The Night dos Kinks. Perante mais uma ovação de pé ainda houve tempo para mais um encore, com a repetição do Superstars II, em jeito de despedida.
Para recordar esta grande noite, ficam aqui alguns vídeos. Bem hajam quem os gravou.
Rever a avó e meia dúzia de amigos.
Beber uns copos (incluindo a zurrapa do Vitó), na Feira do Fumeiro, ao som do organista Beto e terminar a noite em casa do Carrapato a comer uma farinheira assada na brasa.
Brincar com os pirralhos (filha e afilhada) nos baloiços, apesar do frio e da chuva.
Comer um belo coelho à caçador, patrocinado pelo Piri e cozinhado pelo Carrapato.
Ver o meu Sporting a chafurdar no imenso lamaçal que se chama época 2007/8.
Confirmar que na Casa de Irene se come quase tão bem como na casa da avó aqui há uns anos.
Ir até ao Barco numa busca vã por uma abóbora-porqueira.
Estar um dia inteiro a jiboiar depois de um retemperador sono de 12 horas.
Foi assim o Carnaval.
Ah! E ainda deu para ver algumas reportagens televisivas dessa comédia-trágica que são os Carnavais à portuguesa.
PS – Carrapato: manda-me o “material” que está na tua máquina. Está na hora do organista Beto ter um vídeo no Youtube.
A Orquestra Metropolitana de Lisboa veio hoje ao Centro Cultural do Cartaxo apresentar o programa “As Cordas da Metropolitana”. Sob a condução do jovem maestro andaluz Pablo Heras-Casado, e contando com a participação da soprano catalã María Hinojosa, foram interpretadas obras de Händel, Vivaldi, Szymanowski, e Chostakovich.
PROGRAMA
Georg Friedrich HÄNDEL (1685-1759) - Concerto Grosso, Op. 6, n.º 10 [1739]
I. Overture
II. Allegro
António VIVALDI (1678-1741) - Allegro do Motete In furore iustissimae irae, RV. 626 [Data desconhecida]
Georg Friedrich HÄNDEL - Concerto Grosso, Op. 6, n.º 10
III. Air: Lento
Georg Friedrich HÄNDEL - "Tornami a vagheggiar", ária da ópera Alcina [1735]
Georg Friedrich HÄNDEL - Concerto Grosso, Op. 6, n.º 10
IV. Allegro
António VIVALDI - "Gélido in ogni vena", ária da ópera Farnace [1727]
Georg Friedrich HÄNDEL - Concerto Grosso, Op. 6, n.º 10
V. Allegro
VI. Allegro moderato
Georg Friedrich HÄNDEL - "Piangero la sorte mia", da ópera Júlio César [1724]
INTERVALO
Karol SZYMANOWSKI (1882-1937) - Estudo em Si bemol menor, para orquestra de cordas, Op. 4, n.º 3 (arr. Agnieszka Duczmal) [1900-02]
Dmitri CHOSTAKOVICH (1906-1975) - Sinfonia de Câmara para Orquestra de Cordas, Op. 110a (arr. Rudolf Barschai do Quarteto de Cordas n.º 8) [1960]
I. Largo
II. Allegro molto
III. Allegretto
IV. Largo
V. Largo
Este fim-de-semana entretive-me a “refazer” a uvada preparada durante a passada época vinícola. A operação consistiu em juntar maçãs bravo de esmolfe a alguns frascos da receita original e levar a mistura ao lume até atingir novamente a consistência desejada. De realçar que esta mistura não é nada inovadora, tanto que a preparação de uvada com maçãs, ou pêras, faz parte das receitas tradicionais da região oeste. Como prova de teste, decidi oferecer um frasco de uvada a três colegas, que serviram, por assim dizer, de cobaias. Todos eles deram nota positiva à uvada do Crama.