Realização: Woody AllenElenco: Ewan McGregor, Colin Farrell, John Benfield, Clare Higgins, Ashley Madekwe, Andrew Howard, Hayley Atwell, Sally Hawkins
Nacionalidade: EUA
Ano: 2007
Título em português: O Sonho de Cassandra
Realização: Jonathan Dayton, Valerie Faris Pois bem, hoje trago aqui a minha versão desse prato da alta cozinha internacional designado por Pizza. Trata-se de um dos primeiros pratos que aprendi a fazer, era eu ainda gaiato, sendo também um dos que mais gosto, dentro do universo da cozinha italiana. A receita é muito simples de fazer e a imaginação é o limite. Só a parte da massa complica um pouco o processo a quem está pouco familiarizado com este tipo de javardanço. Não querendo ter muito trabalho, pode-se sempre utilizar bases de pizzas pré-confeccionadas mas nunca é a mesma coisa. Até aqui há uns tempos, eu resolvia o “problema” da massa, recorrendo a uma cunha junto da minha padeira preferida que, pedindo com antecedência, me reservava massa de pão de óptima qualidade. Com a recente emigração da Ti Lurdes, para terras de Sarkozy, voltei a ter que me virar sozinho. E é aqui que entra o pequeno doméstico do demo. Pois é! Tenho de dar o braço a torcer. Aquela porra da Bimby, faz uma excelente massa de pizza em menos de um farelo.
Então vamos lá, passo-a-passo, com fotografias e tudo (hã quem é amigo, quem é?).
Ingredientes para a massa:
400g farinha
1 colher de chá de sal
50g de azeite
2dl de água
1 saqueta de Fermipan
Tudo para dentro da Bimby executando o programa de acordo com a receita para massa de pizza. Não havendo Bimby, ou outro arganel equivalente que amasse, tem de ser à mão. Não virá nenhum mal ao mundo por isso, asseguro-vos.
Retirar para um prato, ou tigela, e deixar levedar durante pelo menos duas horas.
Enquanto a massa leveda, prepare os ingredientes que irá pôr por cima da massa. Neste caso:
azeitonas – descaroçadas e cortadas às rodelas
chouriço – sem a pele e cortado em rodelas
cebola – picada muito fina
ananás – cortado em pedaços pequenos
fiambre – fatia grossa cortada em pedaços pequenos
cogumelos – cortados em fatias
Entretanto a massa levedou. Agora, arranje uma superfície limpa, polvilhe-a de farinha e amasse bem a massa. De seguida, separe-a em quantidades adequadas às bases e tenda-a com ajuda de rolo da massa. Estenda-a nas bases polvilhadas de farinha de modo a que a massa cubra toda a superfície com uma espessura homogénea. Para o meu gosto, a espessura da massa depois de estendida nas bases, oscila entre os 2 e os 5 milímetros, aproximadamente.
Com a massa estendida nas bases, cubra com polpa de tomate.
Coloque por cima os ingredientes desejados.
Tempere com oregãos (obrigatórios a meu ver) e outras ervas que entenda. Eu normalmente ponho também um pouco de pimenta preta.
Regue com um fio de azeite. Pouco, que não queremos a pizza alagada em gordura.
Cubra com queijo mozarella ou mistura de queijos. Neste caso, fiz uma pizza utilizando apenas mozarella fresco, enquanto outra levou um fio de natas, queijo emental e mozarella.
Vamos supor que temos uma bancada. E que nessa bancada estão sentadas umas dezenas de pessoas a ver os seus filhos, ou netos conforme o caso, a nadar numa piscina. Ainda no campo da suposição, vamos imaginar que à frente da tal bancada, há uma espécie de varandim, de onde se vê muito melhor as crianças, desde que se fique de pé mas com isso se impeça as mencionadas dezenas de pessoas de ver o que quer que seja. Pergunta: se você, caro leitor, chegasse depois das pessoas que estão sentadas na bancada, não se iria pôr à sua frente, pois não? Ainda para mais, existindo muitos lugares sentados disponíveis.
Realmente, pior que uma criancinha mal-educada, só mesmo progenitores mal-educados.
Ontem, mais ou menos por esta altura, lá para as bandas de Alfama, um punhado de gente, pequeno mas bom, enchia o bandulho de boa música, graças à Rita e ao Kraak.
Para quem não pôde lá estar, uns videozitos do mais reles Youtuber de que há memória.
Total Belief
Week Off
Love Comes in Waves
Devil and the Angel
Caso não se tenha percebido pelos vídeos, o que não é difícil dada a fraca qualidade dos mesmos, gostei muito do concerto. Gostei muito de muitas coisas. Gostei de se estar, em pleno silêncio, a ouvir o Malcolm. Gostei de estar com todo o conforto a ver o Malcolm. Gostei das músicas arranjadas para acompanhamento exclusivo por guitarra acústica. Gostei da qualidade do som e de perceber as palavras que eram ditas, mesmo com aquele sotaque escocês, que tem tanto de castiço, como de tramado. Apesar de não ter falado com ele, gostei do Malcolm. Parece-me ser um gajo que se convida para beber uma pint e se fica em amena, mas bem disposta, cavaqueira a noite toda. E claro, gostei da companhia.
- Vamos brincar a quê?
- Não sei. A que te apetece brincar?
- Vamos brincar aos leões!
- Como é que é isso?
- Tu eras o leão, e eu era a leoa, e eu estava grávida, e nós íamos ter um bebé que era o Simba!
- Errr… Eu preferia brincar aos moshes.
- Ó pai! És tão criança!
O disco amarelo iluminou-se. Dois dos automóveis da frente aceleraram antes que o sinal vermelho aparecesse. Na passadeira de peões surgiu o desenho do homem verde. A gente que esperava começou a atravessar a rua pisando as faixas brancas pintadas na capa negra do asfalto, não há nada que menos se pareça com uma zebra, porém assim lhe chamam. Os automobilistas, impacientes, com o pé no pedal da embraiagem, mantinham em tensão os carros, avançando, recuando, como cavalos nervosos que sentissem vir no ar a chibata. Os peões já acabaram de passar, mas o sinal de caminho livre para os carros vai tardar ainda alguns segundos, há quem sustente que esta demora, aparentemente tão insignificante, se a multiplicarmos pelos milhares de semáforos existentes na cidade e pelas mudanças sucessivas das três cores de cada um, é uma das causas mais consideráveis dos engorgitamentos da circulação automóvel, ou engarrafamentos, se quisermos usar o termo corrente.DIA 10
Palco Optimus:
Rage Against the Machine - 00H40
The Hives - 23H10
Gogol Bordello - 21H40
The National - 20H20
Spiritualized - 19H10
Galactic - 18H00
Kalashnikov - 17H00
Metro On Stage:
Boys Noize (DJ set) - 02H20
Tiga (DJ set) - 00H50
Hercules & Love Affair - 23H50
Peaches (DJ set) - 22H20
Cansei de Ser Sexy - 21H10
MGMT - 20H00
Vampire Weekend - 18H50
Sons Of Albion - 17H50
Banda Soundtribes - 17H00
Quando era rapazola, o meu herói preferido era o Homem-Aranha. Perfeitamente compreensível. Apreciava o seu maior sentido de humor, quando comparado com o trombudo do Super-Homem, assim como me identificava com o facto do desgraçado ter de encher sempre com uns belos abrunhos para levar a sua avante. Quando se cresce na Buraca, aprende-se, desde novo, que não se ganha sempre e quando se ganha, sai sempre do coiro. O João Baião que o diga.Já mais tarde, e à medida que entrava na fase da pré-adolescência, ganhei um especial interesse pelo Homem-Invisível e pela janela de oportunidades que se abria com o super-poder deste herói. Também nisto, nada de estranho. Vá, digam lá que não! Sim, sim, contem-me histórias. Quantos e quantos não continuam, mesmo como adultos, a desejar o poder da invisibilidade? Aliás, estou convicto que o poder da invisibilidade é mesmo um dos super-poderes mais desejados pela humanidade. Basta observar o número de vezes que se escuta a expressão: “gostava de ser mosca”, que, ao contrário do que eu pensava quando era pequeno, não exprime o desejo de voar, ou comer cocó, mas sim, a vontade de passar despercebido, como mais tarde percebi.
Pois bem, esta conversa toda sobre super-heróis e super-poderes só para introduzir um anúncio bombástico:
Eu, Cramalhinha da Silva, descobri o segredo da invisibilidade!
Não acreditam? Eu explico como. Montam-se numa bicicleta, aventuram-se pelas estradas e ruas deste país e já está! Continuarão a ser exactamente as mesmas pessoas: uma cabeça, um tronco, quatro membros e umas gordurinhas localizadas, no entanto é certinho que ninguém vos irá ver! Serão mais transparentes que o Homem-Invisível. Infelizmente o uso deste super-poder tem alguns inconvenientes: os peões vão atirar-se para a vossa frente, os carros abalroar-vos-ão e não vai haver camião que não tente passar-vos a ferro mas, tirando isso, é impecável. Testado e aprovado. Agora só me falta descobrir uma maneira de levar a bicicleta para o quarto da Scarlett Johanson. Tudo em prol da ciência, claro.
Mariza, sim. Cat Power, também. Arcade Fire, sem dúvida. Dave Matthews, A Naifa, Regina Spektor, Camané, LCD Soundsystem, Sérgio Godinho, The National, todos eles e muitos mais. Mas emoção, emoção, é ver o meu pirralho, num palco, frente a uma sala lotada, a ser ovacionada de pé.
- Ó pai, a Mariza?
- Já vem filha, tem calma!
Numa lógica de justiça e rotatividade democrática, este seria o concerto a que assistiriam Mrs. Crama e su madresita, enquanto eu ficaria em casa a tomar conta do pirralho. Acontece que o concerto nem começava assim tão tarde (teoricamente às 21:30) e de democrático eu tenho pouco, muito pouco. Por outro lado, já me apertava o coração, sempre que anunciava a ida a um concerto, ouvir: “E a este, eu vou contigo, pai?”. Vai daí, eram quatro bilhetes se faz favor, e toca de dar “treinos” intensivos de fado, e de Mariza, ao pirralho. Excelente decisão, para não variar. Cof, cof. Só foi pena o atraso com que o concerto começou, decorria já o período de descontos do pirralho, o que fez com que se lhe acabassem as baterias por volta da oitava música. Mas não fez mal. Aquilo que ouviu, sei que não irá esquecer tão cedo e eu, mesmo tendo de a segurar ao colo mais de metade do concerto (e filmar, e aplaudir, não é nada fácil), não me arrependi nada, na medida em que pude assistir a um concerto único e extraordinário. Um concerto que começa com um arrepio na espinha e acaba com uma lágrima a teimosamente querer saltar pelo canto do olho. Mas sobre o concerto, transcrevo a reportagem do DN.
11 mil assistiram ao arranque da digressão de Mariza
João Batista
Nuno Brites
Santarém. Monumental esgotou para ouvir fadista
Estreia do álbum 'Terra' num novo palco para actuações exteriores
Onze mil pessoas assistiram ontem à noite na Monumental de Santarém ao espectáculo que deu início à digressão mundial de Mariza.
O palco redondo montado no centro da arena da maior praça de toiros do País só voltará a ser visto em espectáculos nos recintos ao ar livre, uma vez que a estrutura foi criada propositadamente para este concerto. A estrutura, em forma de um globo azul, é uma referência directa ao novo álbum, Terra, que será lançado no dia 30.
Na noite mais curta do ano, que celebrou o solstício e o início do Verão, o ambiente foi de consagração de Mariza. Na arena de Santarém, a noite esteve fresca e estrelada, mas valeu o caloroso público que não poupou aplausos à fadista. Apesar do atraso de três quartos de hora no início do concerto, Mariza foi recebida na sua entrada em palco com uma ovação dos milhares de admiradores da artista, gritando entusiásticos "És linda!".
O alinhamento do espectáculo começou por privilegiar temas já conhecidas do público, que foi ao rubro ao som de Barco Negro, Cavaleiro Monge, Maria Lisboa ou Meu Fado Meu. Com a imensa plateia já cativada, seguiram-se as canções do novo e quarto álbum de Mariza, Terra, que até agora apenas tinha tido uma apresentação reservada no palco da Culturgest, em Lisboa, na passada semana. Estes novos temas foram muito bem recebidos, com destaque para Rosa Branca, o primeiro single do novo álbum, a merecer fortes aplausos.
Rosa Branca
Um dos momentos altos do concerto contou com a participação do músico Tito Paris. Beijo de Saudade - que sela a participação do cabo-verdiano em Terra - e Dança ma mi Crioula uniram o fado a sonoridades africanas.
Dança ma mi Criola (Tito Paris)
No final do espectáculo os 11 mil espectadores só deixaram Mariza despedir-se ao terceiro encore, em que puderam ouvir dois temas novos - Morada Aberta e, novamente, Rosa Branca - e o já consagrado Ó Gente da Minha Terra. Mariza fez-se acompanhar pelos músicos Diogo Clemente, à viola, Angelo Freire, na guitarra portuguesa, Ruben Alves, ao piano, Marina Freitas, na viola acústica, Viki, na bateria, e João Pedro Ruela, na percussão. O espectáculo foi filmado para o videoclip de promoção desta digressão mundial, que seguirá com um concerto na quinta-feira, dia 26, em Ponte de Lima.
Gente da Minha Terra
Começou, pois, da melhor maneira esta digressão mundial de Mariza. Uma casa cheia para assistir a um espectáculo memorável, em que a voz da fadista fez vibrar a Monumental de Santarém.
“Ora oube lá isto e bê se gostas.” Normalmente a conversa começa assim. Conhecer a Rita é como ter uma Indiana Jones das novidades musicais a trabalhar para mim. Depois resta-me concordar que sim, que gosto muito, ou em alternativa, que gosto muitíssimo. E isto sem favor nenhum, que gosto mesmo! Foi a última variante – a do muitíssimo – a utilizada no caso da sugestão relativa ao último álbum do Malcolm Middleton. Bastou uma audição na diagonal de Sleight Of Heart para ficar cativado com a sonoridade deste cantor escocês, agora em aventuras a solo, depois do projecto Arab Strap. Como se não bastasse, andavam já músicas como Week Off, Blue Plastic Bags e a sui generis Stay (cover irreconhecível da música da Madonna) em repeat no mp3, quando a Ervilhita anuncia que a Undergrave Productions iria trazer cá o Malcolm, para uma actuação no Santiago Alquimista. Nem bateu no chão. Foi entrada directa para a agenda do Crama e o bilhetinho já cá mora. Agora ouçam lá o Malcolm e bejam se gostam. Se gostarem, façam um favor a vós mesmos, dando uma saltada até ao Santiago Alquimista, no próximo dia 26. Preço do bilhete: 16€. À venda na Ticketline, Fnac, Flur e Louie Louie.
- Pai, isso é sopa de quê?
- É sopa de alho francês.
- Blherc!
- Blherc!? Tu não estás a ver bem esta sopa! Isto é uma sopa especial! Nem imaginas o poder desta sopa! Sabes porquê?
- Porquê?
- Porque eu pus um alho francês mágico! Quem comer desta sopa fica a falar francês! Tu não queres ir à Disney?
- Quero!
- Então, tens de saber falar francês porque a Disney fica na França e só lá vão meninos crescidos que saibam falar francês! Queres ver? Vou comer uma colher para ficar a falar francês!
Depois da colherada:
- Oh la la, cette soupe est vraiment magnific! Et toi petite fille? Tu ne mange pas la soupe? Allor tu restera ici au Portugal aunque moi et maman nous allons à la Disney! Tu veux ça? Mais non...
- Agora eu, agora eu! U lá lá tchri tchró sup Disney…
- Está quase! Só mais umas colheres e ficas a falar francês tal e qual uma menina francesa!
Depois da sopa toda comida:
- Ó pai, para a próxima, fazes sopa de alho alemão?
- Inglês, filha… Vamos experimentar primeiro a de alho inglês, está bem?
O Manuel e o Zé têm 5 anos. São gémeos. A brincadeira preferida do Manuel é andar de bicicleta enquanto o irmão lhe atira com pedras da calçada. Também gostam do vice-versa.
O Francisco tem 3 anos e é conhecido por sujar as calças e as saias das pessoas que vão à sua frente no comboio, quando está bem disposto.
O João tem 4 anos e gosta de infernizar a vida de toda a turma. Também já deu um sopapo à educadora. Os pais, “que coitadinho é hiperactivo”.
Com as criancinhas que vejo por aí, às vezes pergunto-me: como é que ainda não fomos bombardeados pelos norte-americanos, como é que não foram identificados pela CIA campos de treinos de terroristas e o nosso país catalogado como pertencente ao eixo do mal?
Afinal não era um dilema. Era um trilema, pois havia ainda a problemática do jogo da selecção. A coisa resolveu-se com a ida para Vila Nova da Barquinha feita só no final da tarde, até porque o tempo não se agoirava para passeios de mota. Apesar de ter falhado as Vespas, acabou por se confirmar uma excelente decisão. O jogo foi visto numa agradável esplanada sobre o Tejo (acompanhado pelo belo do petisco), deu para passear pelo bonito parque de Vila Nova da Barquinha, visitar a feira, encontrar colegas, assistir a danças de salão e no fim… os Clã. Desde o concerto da Aula Magna, que perdi com muita pena minha, que andava de olho na tournée deste grupo, em busca de uma data compatível com a agenda dos Crama. Um pouco em cima da hora, descobri esta actuação, que não era assim tão longe de casa e que, ainda por cima, era à borlix. Pois o que posso dizer é que valeu todos os 160km feitos. Valeria só pelos Clã, ainda mais valeu pelo fim de dia muito bem passado.
Da actuação dos Clã, pouco posso acrescentar ao que já toda a gente sabe: a banda de Manuela Azevedo, perdão Manuela Animal de Palco Azevedo, é fantástica e os concertos são sempre de grande qualidade. Alternando músicas do último álbum – Cintura – com êxitos mais antigos como H2omem, GTI, Corda Bamba ou Sopro do Coração foram quase duas horas de grande pujança que agora me fazem temer pelo dia de amanhã. Ficam dois videozitos fraquinhos para (não) variar.
22:30 – Clã ao vivo
O que fazer durante 12 horas em Vila Nova da Barquinha?
Pela janela do comboio, assisto à cena com uma sensação de déjà-vu, de tal forma ela se repete no passar dos dias. É triste mas é um facto: na modalidade “Falta de Civismo” estamos fadados a ser um país de campeões.
- Pai, o que vais pôr?
- Espera que já vês.
Com os primeiros acordes:
- Para que é que estás a pôr tão alto?
- É para ouvirmos melhor.
- Pai… - diz com ar de preocupada - Isto é música de…
- Pois é! - Fito-a com um riso de malícia.
- Pai, tens de ter calma, olha que eu ainda tenho um restinho de comida na barriga.
- Eu dou-te a calma.
- MOSH AO PAI!!!
- MOSH AO PIRRALHO!!!
Minuto 10 da segunda parte.
- Tens de o trincar mais ao meio.
- Assim?
- Isso. Agora põe-o na minha boca e aperta.
- Consegui!
- Boa! Está mesmo bom! És uma grande descascadora de tremoços!
- Pois sou!
- Olha, acabou-se a cerveja. Vai à cozinha e traz-me outra da porta do frigorífico, se faz favor.
- Oh pai…
- Vá lá!
Passados uns segundos.
- Está aqui.
- Obrigado filha! Mas está fechada! Como é que a abro?
Não acredito que saiba o que é a chave das caricas, muito menos encontrá-la no meio de uma gaveta cheia de utensílios de cozinha, mas passados uns segundos está de novo na sala.
- Aqui tens!
- Oh minha querida! És a filha que qualquer pai gostaria de ter!
- Pois sou!
Este vai ser um grande Europeu!
A afirmação pode apanhar de surpresa alguns dos que me conhecem mas é um facto que não posso negar: Acredito piamente na existência, e na veracidade, de fenómenos paranormais. Apesar de céptico por natureza, tive de dar o braço a torcer, na medida em que só esta área obscura do conhecimento humano explica algo que me acontece sempre que entro numa loja FNAC.A princípio ainda cheguei a pensar que se tratava do trabalho de um ladrãozeco com alguma tara esquisita que, qual formiguinha diligente, se entretinha, noites a fio, a carregar os meus queridos pertences para aqueles antros do consumismo, mas depois de instalar um alarme XPTO em casa, fiquei mesmo convencido que tudo não passa de uma estranha migração Harrypotteriana, destinada a levar este muggle à loucura. Mais estranho ainda, é o processo pelo qual tenho de passar, sempre que quero reaver algumas das minhas coisinhas. Trata-se de um ritual verdadeiramente kafkiano que envolve uns papelinhos numerados de várias cores ou, em alternativa, uma ginástica esotérica que consiste num conjunto de movimentos complexos que culminam na passagem de um pedaço de plástico numa caixa mágica com uma ranhura, seguido da execução de uma curta peça para piano tocada num teclado esquisito.
Como sou um gajo prático, e farto que estou de remar contra a maré, decidi propor à administração da FNAC uma permuta imobiliária envolvendo a minha casa e uma das suas lojas. Aquilo é só construir uma cozinha (que pode muito bem ficar na zona das caixas), uma adega (que pode ficar na zona das reclamações), arranjar um cantinho para pôr um par de camas e ala com os Crama para uma FNAC perto de si. Case solved.
Portanto já sabem, se daqui por uns tempos passarem pelas bandas da… digamos… assim uma maneirinha… a FNAC – Chiado e sentirem um belo cheirinho a comida, sou eu que estou em casa a cozinhar. Nessa altura batam à porta, para além do petisco, tenho muito com que vos entreter.
Quando, daqui por uns tempos, a Rita e o Kraak aparecerem em todos os telejornais, a braços com a Autoridade da Concorrência, por quererem de uma assentada comprar a Everything is New e a Música no Coração, eu hei-de mostrar este convite ao Pirralho, nessa altura "praí" com uns 6 anos: “Vês filha, eu estive lá quando estes gajos lançaram a empresa…” Pôr o açúcar.
Mexer.
Beber o café.
Repito: pôr o açúcar.
PS – O que vale é que havia uma queijadinha de chocolate para salvar as minhas papilas gustativas.
- Olha, ontem foi o Dia da Criança e esqueceste-te de fazer o post no blog!
- Pois foi!
- Queres escrever hoje?
- Sim, põe lá isso tudo branco para eu escrever.
Gostei muito de ir ao fluviário.
Fui levar lá dois bichinhos.
Almocei a ver as lontras.
Recebi a cama e a cómoda da Barbie.
- Esta é a última escrevição, está bem pai?
- Só isso? E não queres pôr um filme, ou uma música?
- Sim, está bem.
- Então escolhe lá.
- Um da Cat Power.
- Da Cat Power? Qual?
- Um que tu gostes.
- Da Cat Power não, que o pai já pôs há pouco tempo. Escolhe outro.
- Da Regina “Speckel”.
- Da Regina! Qual?
- O ta-na-na.
Para compensar ainda, à chegada a casa tínhamos à nossa espera um frasco contendo cerca de 30 camarões Neocaridina denticulata sinensis (Red Cherry), gentilmente cedidos pelo colega JM da sua criação pessoal, e que agora são a nova coqueluche do aquário principal.
Isto tudo a propósito de um episódio ocorrido no sábado passado, estava eu a ultimar os preparativos para a festinha caseira. No meio da azáfama pensei em voz alta: “Cerveja… está, vinho… está. Acho que vou fazer também uma sangria…” Reacção imediata da Mrs. Crama: “És maluco! Para que é a sangria!? Ninguém vai beber essa mistela! Não sabes fazer sangria! Vai ficar pior que a zurrapa do Vitó!”... and so on, and so on. Pois como devem imaginar, custa muito ouvir injúrias destas, principalmente a parte do Vitó. São flechas que furam a carapaça da minha indiferença e se espetam no âmago do meu orgulho. Como a violência doméstica agora é crime público, não me restou outra alternativa se não preparar a melhor sangria já alguma vez provada no Mundo em geral e no Universo em particular. Posto isto, fechei-me na cozinha, reuni todos os ingredientes à disposição e, qual Grenouille das beberagens, tratei de engendrar, não uma mas duas sangrias que deixassem toda a gente enfeitiçada. Como podem imaginar, se assim o pensei melhor o fiz: as sangrias – tinta e branca – foram as primeiras bebidas a desaparecerem e, sem sombra de dúvidas, contribuíram decisivamente para o nível de animação dos convivas, registado a partir de determinada altura. E assim, mais uma vez, a Mrs. Crama engolia, da pior maneira mas com a melhor sangria, todos os desaforos proferidos: “Epá, isto está “muuuita” bom! Não sabia que fazias tão bem sangria!”
Como, para além de genial e modesto, sou uma pessoa extremamente altruísta, fica aqui a receita, não das sangrias feitas por altura da festa, mas de uma outra, ainda melhor, que garantirá a quem a preparou os mais rasgados elogios e até quem sabe, em condições especiais, algum sexo não-pago.
750ml de vinho tinto
500ml de Seven-Up
½ laranja
½ limão
½ maçã
12 cerejas
6 morangos
1 ramo de hortelã
1 pau de canela
4 colheres de sopa de açúcar
Preparação
Lave bem as frutas e a hortelã. Corte a laranja e o limão às semi-rodelas, a maçã aos cubos pequenos, as cerejas e os morangos ao meio (tirando o caroço às cerejas). Deite tudo num jarro de 2 litros, juntamente com a hortelã, o pau de canela e o açúcar. Acrescente o vinho, mexa até dissolver o açúcar e leve ao frigorífico, durante pelo menos uma hora. A Seven-Up também deverá ser guardada no frigorífico. (Atenção que deve ser mesmo Seven-Up, ou em alternativa Sprite. Esqueça gasosas manhosas. Em relação ao vinho recomendo um (bom) tinto encorpado, de cor carregada e com bom teor alcoólico.)
Cerca de meia-hora antes de servir a sangria, transfira o jarro e a Seven-Up para a arca congeladora. Um dos segredos da sangria é arrefecer ao máximo as bebidas dispensando-se a utilização de gelo, o que iria “aguar” a bebida, após algum tempo; o segundo segredo consiste em juntar a Seven-Up ao vinho só na altura de servir, de modo a que a sangria esteja viva e fresca.
Para finalizar então, quando ambas as bebidas estiverem muito bem geladas, retire da arca, junte a Seven-Up ao jarro, mexa ligeiramente e sirva de imediato.
Como alternativa, se quiser preparar uma sangria “branca”, para além da substituição óbvia do vinho, troque os morangos por nêsperas e as cerejas por pêssego.
“À terceira foi de vez” ou “A gata fez-se leoa” poderão ser, muito bem, os títulos das notícias do concerto da Cat Power, ontem, no Coliseu dos Recreios. Depois do fiasco de Matosinhos e do não-tão-bom-concerto da Aula Magna, a menina bonita da indie americana, que por esta altura já devia ser minha assalariada, deu finalmente um concerto convincente e à altura do seu talento. Destaque também para o grande desempenho da Dirty Delta Blues Band que me parece ser uma das razões da estabilidade da Cat. Infelizmente, o que se ganhou em maturidade e profissionalismo perdeu-se em intimidade e imprevisibilidade. Tirando uns “obrigadas” e umas frases esporádicas, Cat Power resumiu-se ao que a trazia ali: cantar, muito – duas horas – e bem. Para além da gata mais esquiva, também fiquei com pena de já não haver lugar para as interpretações de antigamente a solo ao piano, que tanto podiam correr mal e serem autênticos desastres, como correrem bem e serem momentos sublimes. E aquela versão de “The greatest” não entra nem barrada de chocolate. Tirando isso e algumas falhas ao nível do som, foi um belo concerto. Muito bom, mesmo! De tal maneira que sonhei com ele a noite toda. É claro que admito que sou suspeito para opinar: é difícil falar da actuação de alguém por quem se está apaixonado. Mas também, como não estar? Com aquela voz doce e rouca que me encanta, com tantas (ou mais) pancas do que eu, de 1972 como eu, e a dançar de uma forma quase tão ridícula quanto eu… Enfim… Só não digo que casaria com a Cat Power porque já tenho esse assunto muito bem resolvido mas que a adoptava, ai isso é que a adoptava! Ao fim ao cabo, quem cria uma Cat, cria duas. Na boa!Devido a alguma falta de vagar, tenho me esquecido de mencionar alguns restaurantes que merecem ficar aqui referenciados para uma eventual segunda visita. Um deles é, sem sombra de dúvidas, o Restaurante D’Avis.
Sugerido pela SA, para mais um almoço do Gang de 72, foi visitado, em boa hora, no passado mês de Abril. Trata-se de um restaurante de inspiração genuinamente alentejana, que vai do ambiente – rústico e acolhedor – ao menu. Da refeição desfrutada, destaco a excelente caldeta de cação que, passado mais de um mês, ainda retenho na memória. Recordo também uma boa lista de doces, onde constavam algumas das delícias conventuais, típicas do Alentejo, como o pão de rala, o sericá, a enxarcada, entre outros. Atenção que recordo apenas por ter visto e por ter registado a opinião dos companheiros de refeição, porque eu, nem sei como, consegui resistir à tentação de comer uma destas bombinhas calóricas! Para finalizar, uma nota para o bom sortido de entradas e para o serviço que, apesar de pouco formal, não compromete.
Conclusão: um restaurante onde me senti a almoçar como se estivesse em casa da minha sogra. (Para quem não sabe, isto é um grande elogio.)
Restaurante D’Avis
Rua do Grilo, 96/98
1900-707 Lisboa
Tel: 218681354
A Feira de Maio está quase aí, e na Azambuja fazem-se os últimos preparativos para a grande festa anual que, como manda a tradição, se realiza no último fim-de-semana de Maio. Este ano, a coisa promete. A vila está (quase) de cara lavada e, pelo que vejo, parece-me haver mais tertúlias assim como um maior envolvimento dos jovens. Musicalmente, o destaque vai para a actuação da fadista Dana e dos consagrados Da Weasel. Aqui por casa, prepara-se também a festa de sábado. Em relação ao ano passado, vão estar mais do dobro das pessoas, apesar de algumas baixas de vulto. Àqueles que estão convidados, pede-se que tragam fome, sede e boa disposição. Nós cá vos esperamos.
- Deixa-me ajudar-te a apertar o roupão.
- Não.
- Vá lá…
- Não! Eu faço sozinha!
Depois de não conseguir:
- Óh avó, ajuda-me lá a apertar isto.
- Não sei a quem sais tão teimosa!
- Ao pai e à mãe.
O único gajo que concorreu ao MEGA-CONCURSO TILL, imprimiu a página A4 com as frases e o cartaz e… esqueceu-se dela em casa.
Ai, ai… Já os vi começarem por menos.
PS - Apesar do percalço, teve direito à imperial e ao disco.
- Cerejas com queijo da serra!?
- Sim, eu gosto.
- Nunca vi comer cerejas com queijo da serra!?
- Estás a ver agora.