domingo, 24 de agosto de 2008
Almeida tem mais encanto...
- Ó pai, vai haver guerra e Deolinda o fim-de-semana todo?
- Errr… Guerra sim, Deolinda não. Os Deolinda hoje tocam noutra terra.
- E a gente pode ir vê-los?
- Pudemos mas assim não vemos a guerra…
- Nem eu estou com Rita…
- Pois…
- Então eu prefiro ficar aqui.
- Sabes pai, eu gostava de morar em Almeida.
- É filha! Mas a nossa casa e a tua escola não são aqui.
- A gente dava a casa de Lisboa aos pobrezinhos e mudávamo-nos para aqui. Boa!?
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
domingo, 17 de agosto de 2008
Match Point
Memoirs of a Geisha
sábado, 16 de agosto de 2008
Into the Wild
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
de cio
Com efeito o ciúme é, de todos os temores, o mais ingrato: se tememos a morte, teremos alívio do poder pensar que, pelo contrário, gozaremos de longa vida ou que no decorrer de uma viagem acharemos a fonte da eterna juventude; e se formos pobres teremos a consolação do pensamento de achar um tesouro; para cada coisa temida, há uma oposta esperança que nos aguilhoa. O mesmo não se passa quando se ama na ausência da amada: a ausência está para o amor como o vento para o fogo: apaga o pequeno, ateia o grande.
Umberto Eco, in A Ilha do Dia Antes
Envocabolando
facécia
s. f.,
qualidade de quem é faceto;
frase ou modos daquele que é faceto;
troça, motejo.
acróstico
s. m.,
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Para a próxima vou aos sargos
Dorminsky amigo...
- Quando chega à praia procura a bandeira azul?
- Não me preocupa demasiado até porque não gosto de areia nos pés. Se as praias tivessem relva… era o ideal. Mas gosto de me sentar nas esplanadas em frente ao mar; ao fim da tarde, a beber algo fresco, ou de praias desertas, como em Porto Santo…
- Mário Dorminsky em entrevista ao Notícias Magazine de 10.08.2008
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
terça-feira, 5 de agosto de 2008
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
O mundo às crianças, já!
- E depois como é que ele ganhava dinheiro?
- Então, ele ia lá ao escritório de manhã, falava um pouco com os colegas e vinha logo embora.
domingo, 3 de agosto de 2008
segunda-feira, 28 de julho de 2008
sábado, 26 de julho de 2008
Choque térmico
Por aqui tenta-se acabar um tecto falso começado há cinco anos. O autêntico tecto Engrácio. Para isso há que betumar e envernizar algo que fica, como o nome indica, no tecto e que por isso obriga a estar com os braços acima do nível da cabeça durante várias horas. É tão bom!!! Depois seguir-se-á uma dose de pinturas. Daquelas porreiras em que temos de remover duas toneladas de bugigangas para conseguir chegar às paredes. E depois isolar o que não é para pintar. E depois pintar. E depois as duas toneladas de volta à sua localização inicial. Ou seja, depois de duas semanas em que a minha maior preocupação era saber se fazia praia de manhã e piscina à tarde, ou vice-versa, as minhas férias entram agora numa fase que me fazem ansiar pelo meu gabinete. Apesar de masoquista, é uma boa táctica para regressar ao serviço. Quando chega o último dia de férias a vontade de voltar ao emprego é tão grande, que o monte de trabalho acumulado durante um mês parece a última Coca-Cola do deserto. Ou não...sexta-feira, 25 de julho de 2008
sábado, 19 de julho de 2008
sexta-feira, 18 de julho de 2008
E agora as notícias que marcam a actualidade...
E ao vivo tem muito mais piada que na televisão.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Na pior das hipóteses uma betonilha
Eu já não digo relva, que tenho perfeita noção das dificuldades. Terracota, que ficaria bem engraçado, também é capaz de sair caro. Mas agora há uns ladrilhos em madeira tão engraçados, ou então, um vinílicozinho que até poderia imitar o mesmo tom, agora praias com areia é que já não há pachorra! Ó falta de imaginação! domingo, 13 de julho de 2008
Gunzoners - 5º Aniversário
Optimus Alive 2008 - Dia 1
O aguardado dia 10 tinha chegado e a vontade de não perder mais do que era tido como certo à partida, fez com esta alminha se apresentasse no Passeio Marítimo de Algés, ainda não eram 17:00 horas.
Após quase uma hora, à esturrina, para passar pela zona de segurança da entrada (um bem-haja à organização) lá consegui entrar e rapidamente repor líquidos ao som dos Kalashnikov. Som fuckin porreiro, fuckin divertidos… Era o que se fuckin precisava.
Seguiu-se uma romaria pelo espaço dos comes e bebes a ver se me despertavam os apetites. Coisa fácil, diga-se de passagem. Entretanto encontro um colega que não via há mais de 10 anos. Melhor, ele é que me encontrou, pois eu, sinceramente, não o teria conhecido. Conversa para aqui, conversa para ali, que tinha estado no Alive do ano passado e que tinha sido a maior das confusões para comer e beber, principalmente a partir da noite. Mau! Achei melhor forrar os meus três estômagos e apostar na dieta líquida para o resto da noite. Excelente decisão face ao confirmado caos para se conseguir o que quer que fosse a partir do fim da tarde.
Entretanto, eram quase 7 horas, sendo tempo de rumar ao Metro On Stage para os Vampire Weekend. Um bom concerto apesar de o som da tenda não me ter agradado muito. Apesar disso, a boa disposição foi geral enquanto desfilaram os temas do álbum de estreia dos rapazes que misturam Brooklin com o Soweto, dando ainda para conhecer dois temas novos. Primeira nota positiva do dia.
Seguiram-se os MGMT, naquele que foi, para mim o maior erro da organização, no que toca ao horário do 1º dia. Com a desistência dos Cansei de Ser Sexy, podiam perfeitamente ter reajustado as actuações de modo a que The National não coincidisse com MGMT. Assim, e perante um arranque morno, com alguns dos temas mais calmos, decidiu-se rumar ao palco principal onde já actuavam Mr. Beringer e Cia Lda. Aqui, confirmou-se o que toda a gente que esteve, no último concerto dos The National, na Aula Magna, sabia de antemão. Aquela actuação, que agora nos aflorava a pele, nunca poderia igualar a do passado mês de Maio, onde foram feitos cortes bem profundos, muitos dos quais ainda não sararam. Destacou-se no entanto, em relação ao último concerto, a presença do conjunto de sopros que ajudaram a dar outra dimensão a algumas músicas, com a grande Fake Empire em destaque.
Seguiram-se os Gogol Bordelo, um dos concertos que eu mais aguardava. Depois de ter ouvido relatos na primeira pessoa, sobre o concerto do ano passado em Sines, e de ter visto pela televisão a actuação em Paredes de Coura, sabia ao que ia: energia contagiante em forma de gipsy-punk. E foi isso que tive. Eugene Hutz e companhia nunca falham e por muitos milhares de pessoas que tenham à sua frente a dançar, pular e cantar, conseguem fazer sempre uma festa ainda maior em cima do palco.
Vindos da Suécia, os The Hives, com o seu rock’n’roll em estado puro, foram os senhores que se seguiram. Um concerto também cheio de pujança onde o vocalista usou e abusou da interacção com público (na minha opinião abusou mesmo um pouquinho demais).
Para terminar (a minha) noite, os tão aguardados Rage Against The Machine. Anunciados por uma sirene, como se de um ataque aéreo se tratasse, Zack de la Rocha, Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk terraplenaram completamente o Passeio Marítimo de Algés, naquele que foi o concerto mais físico que eu alguma vez assisti. Simplesmente impressionante ver uma plateia de 40.000 pessoas em mosh-mode, desde Testify - a primeira música tocada – até ao último acorde de Killing in the Name, com que se despediram.
Um dia muito bem passado em que se destacaram, pela positiva: a qualidade do cartaz, os concertos e a companhia; pela negativa: alguns aspectos a serem melhorados pela organização, nomeadamente: as acessibilidades ao festival e a zona de restauração. Ah! E aquela "tenda" electrónica também estava muito mal localizada, poluindo (sonoramente) ambos os palcos. Posto isto, Srs. da Everything Is New, tratem lá disso, que para o ano que vem vou lá averiguar as melhorias.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Warm-up
- Mostra lá.
- É a música dos moshes!
- Pois é! O pai vai vê-los amanhã!
- Então e eu!?
terça-feira, 8 de julho de 2008
Juristas... Não se pode viver com eles, não se pode viver sem eles*
- Desculpe Sra. Doutora mas isso não é o que diz a b) do n.º 2 do artigo 136.º?
- Não porque neste caso assiste-lhe esse direito como sub-rogado.
- Independentemente dos ónus e servidões a impor?
- Exacto. Apenas será sanável por interposição de acção administrativa especial.
- Então imagine, em vez do caso que mencionou, que se tratava de uma construção em área que, à posteriori, se apurava como sendo non aedificandi…
- Nem é preciso chegar a tanto. Nesse caso é um elemento do projecto em falta, sendo este condição sine quo non para a celebração do contrato.
- E se for ignorado pelo adjudicante a reclamação na fase de negociação?
- Funciona sempre a cominação do silêncio.
- Então pode culminar na nulidade do contrato?
- Correcto.
- Grande porra!
* - ou efeitos de uma acção de formação
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Cassandra's Dream
domingo, 6 de julho de 2008
Little Miss Sunshine
Realização: Jonathan Dayton, Valerie Faris Elenco: Abigail Breslin, Greg Kinnear, Paul Dano, Alan Arkin, Toni Collette, Steve Carell
Nacionalidade: EUA
Ano: 2006
Título em português: Família à beira de uma ataque de nervos
Nota
A única explicação que eu encontro, é que a tradução do título deste filme deve ter sido entregue a alguém que já tinha sido despedido e que estava apenas a cumprir os dias obrigatórios após comunicação de despedimento. “Ah despediram-me foi? Então tomem lá este título traduzido!”
É que até os espanhóis, esse povo que se distingue do resto da humanidade pelas traduções caricatas que fazem de tudo quanto pode ser designado noutra língua, não se lembrariam de uma destas. Pequeña Miss Sunshine… coitadinhos! Família à beira de um ataque de nervos… ah, bate esta!
Mas já que estamos numa de avacalhar com o título do filme eu proponho para este Little Miss Sunshine: Filme cujo título em português põe qualquer um à beira de ataque de nervos. Está bom, não está? Bonito e conciso.
sábado, 5 de julho de 2008
Pizza
Pois bem, hoje trago aqui a minha versão desse prato da alta cozinha internacional designado por Pizza. Trata-se de um dos primeiros pratos que aprendi a fazer, era eu ainda gaiato, sendo também um dos que mais gosto, dentro do universo da cozinha italiana. A receita é muito simples de fazer e a imaginação é o limite. Só a parte da massa complica um pouco o processo a quem está pouco familiarizado com este tipo de javardanço. Não querendo ter muito trabalho, pode-se sempre utilizar bases de pizzas pré-confeccionadas mas nunca é a mesma coisa. Até aqui há uns tempos, eu resolvia o “problema” da massa, recorrendo a uma cunha junto da minha padeira preferida que, pedindo com antecedência, me reservava massa de pão de óptima qualidade. Com a recente emigração da Ti Lurdes, para terras de Sarkozy, voltei a ter que me virar sozinho. E é aqui que entra o pequeno doméstico do demo. Pois é! Tenho de dar o braço a torcer. Aquela porra da Bimby, faz uma excelente massa de pizza em menos de um farelo.
Então vamos lá, passo-a-passo, com fotografias e tudo (hã quem é amigo, quem é?).
Ingredientes para a massa:
400g farinha
1 colher de chá de sal
50g de azeite
2dl de água
1 saqueta de Fermipan
Tudo para dentro da Bimby executando o programa de acordo com a receita para massa de pizza. Não havendo Bimby, ou outro arganel equivalente que amasse, tem de ser à mão. Não virá nenhum mal ao mundo por isso, asseguro-vos.
Retirar para um prato, ou tigela, e deixar levedar durante pelo menos duas horas.
Enquanto a massa leveda, prepare os ingredientes que irá pôr por cima da massa. Neste caso:
azeitonas – descaroçadas e cortadas às rodelas
chouriço – sem a pele e cortado em rodelas
cebola – picada muito fina
ananás – cortado em pedaços pequenos
fiambre – fatia grossa cortada em pedaços pequenos
cogumelos – cortados em fatias
Entretanto a massa levedou. Agora, arranje uma superfície limpa, polvilhe-a de farinha e amasse bem a massa. De seguida, separe-a em quantidades adequadas às bases e tenda-a com ajuda de rolo da massa. Estenda-a nas bases polvilhadas de farinha de modo a que a massa cubra toda a superfície com uma espessura homogénea. Para o meu gosto, a espessura da massa depois de estendida nas bases, oscila entre os 2 e os 5 milímetros, aproximadamente.
Com a massa estendida nas bases, cubra com polpa de tomate.
Coloque por cima os ingredientes desejados.
Tempere com oregãos (obrigatórios a meu ver) e outras ervas que entenda. Eu normalmente ponho também um pouco de pimenta preta.
Regue com um fio de azeite. Pouco, que não queremos a pizza alagada em gordura.
Cubra com queijo mozarella ou mistura de queijos. Neste caso, fiz uma pizza utilizando apenas mozarella fresco, enquanto outra levou um fio de natas, queijo emental e mozarella.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Heavenly Creatures
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Estupefaciente
Só uma perguntinha
quarta-feira, 2 de julho de 2008
5º Aniversário Gunzoners
terça-feira, 1 de julho de 2008
A história do céu sem lua nem estrelas
Certo dia, o Gastão achou que o Vitó andava muito triste por este andar sempre sozinho. Decidiu então ir para o campo à procura de uma namorada que fizesse companhia ao seu amigo. Como não queria ir sozinho, foi bater à porta de casa do Vitó: “Anda comigo seu animal, a ver se te encontramos uma namorada.” E assim, lá foram os dois meninos, muito contentes, para o campo à procura de uma namorada. Infelizmente, a alegria depressa desapareceu, pois procuraram, procuraram mas nada de encontrar uma namorada para o Vitó. Entretanto fez-se tarde e ficou de noite. Como o Gastão era muito pitosga, não via o caminho, pelo que não conseguiam voltar para casa. Foi então que teve uma ideia: subiu ao cimo de uma árvore muito alta, apanhou as estrelas todas e meteu-as dentro de um saco. Quando chegou ao pé do Vitó mostrou-lhe as estrelas: “Estás a ver como sou esperto! Assim, com as estrelas a alumiar-me, já vejo o caminho!” O Vitó, que não queria ficar-lhe atrás, também subiu ao cimo da árvore e apanhou a lua para dentro de um saco. Quando chegou ao pé do Gastão mostrou-lhe com orgulho o seu saco resplandecente com o brilho da lua. “Estás a ver, assim também consigo ver bem o caminho.” E lá foram os dois de volta, com a lua e as estrelas dentro dos sacos. Quando chegaram a casa, em vez de soltarem a lua e as estrelas, guardaram-nas debaixo das camas. Queriam ficar com o brilho só para eles, porque eram dois meninos muito mariquinhas que tinham medo do escuro. E assim, os outros meninos deixaram de ter a lua e estrelas no céu e ficaram muito tristes.
Um dia, uma menina muito corajosa esgueirou-se, muito sorrateira, para dentro do quarto do Gastão e apanhou-lhe o saco com as estrelas. Depois, foi ao quarto do Vitó e apanhou-lhe o saco com a lua. Como a menina era muito boazinha, largou a lua e as estrelas no céu, para os outros meninos as verem. É graças a essa menina que à noite se vêem as estrelas e a lua. Quando não há lua nem estrelas no céu, é porque o Vitó e o Gastão andam à procura de namoradas.
sábado, 28 de junho de 2008
Nada como perder as estribeiras pela manhã
Vamos supor que temos uma bancada. E que nessa bancada estão sentadas umas dezenas de pessoas a ver os seus filhos, ou netos conforme o caso, a nadar numa piscina. Ainda no campo da suposição, vamos imaginar que à frente da tal bancada, há uma espécie de varandim, de onde se vê muito melhor as crianças, desde que se fique de pé mas com isso se impeça as mencionadas dezenas de pessoas de ver o que quer que seja. Pergunta: se você, caro leitor, chegasse depois das pessoas que estão sentadas na bancada, não se iria pôr à sua frente, pois não? Ainda para mais, existindo muitos lugares sentados disponíveis.
Realmente, pior que uma criancinha mal-educada, só mesmo progenitores mal-educados.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Malcolm Middleton @ Santiago Alquimista
Ontem, mais ou menos por esta altura, lá para as bandas de Alfama, um punhado de gente, pequeno mas bom, enchia o bandulho de boa música, graças à Rita e ao Kraak.
Para quem não pôde lá estar, uns videozitos do mais reles Youtuber de que há memória.
Total Belief
Week Off
Love Comes in Waves
Devil and the Angel
Caso não se tenha percebido pelos vídeos, o que não é difícil dada a fraca qualidade dos mesmos, gostei muito do concerto. Gostei muito de muitas coisas. Gostei de se estar, em pleno silêncio, a ouvir o Malcolm. Gostei de estar com todo o conforto a ver o Malcolm. Gostei das músicas arranjadas para acompanhamento exclusivo por guitarra acústica. Gostei da qualidade do som e de perceber as palavras que eram ditas, mesmo com aquele sotaque escocês, que tem tanto de castiço, como de tramado. Apesar de não ter falado com ele, gostei do Malcolm. Parece-me ser um gajo que se convida para beber uma pint e se fica em amena, mas bem disposta, cavaqueira a noite toda. E claro, gostei da companhia.
O e-trabalho liberta... dizem!
quinta-feira, 26 de junho de 2008
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Generation gap
- Vamos brincar a quê?
- Não sei. A que te apetece brincar?
- Vamos brincar aos leões!
- Como é que é isso?
- Tu eras o leão, e eu era a leoa, e eu estava grávida, e nós íamos ter um bebé que era o Simba!
- Errr… Eu preferia brincar aos moshes.
- Ó pai! És tão criança!
terça-feira, 24 de junho de 2008
Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago
O disco amarelo iluminou-se. Dois dos automóveis da frente aceleraram antes que o sinal vermelho aparecesse. Na passadeira de peões surgiu o desenho do homem verde. A gente que esperava começou a atravessar a rua pisando as faixas brancas pintadas na capa negra do asfalto, não há nada que menos se pareça com uma zebra, porém assim lhe chamam. Os automobilistas, impacientes, com o pé no pedal da embraiagem, mantinham em tensão os carros, avançando, recuando, como cavalos nervosos que sentissem vir no ar a chibata. Os peões já acabaram de passar, mas o sinal de caminho livre para os carros vai tardar ainda alguns segundos, há quem sustente que esta demora, aparentemente tão insignificante, se a multiplicarmos pelos milhares de semáforos existentes na cidade e pelas mudanças sucessivas das três cores de cada um, é uma das causas mais consideráveis dos engorgitamentos da circulação automóvel, ou engarrafamentos, se quisermos usar o termo corrente.O sinal verde acendeu-se enfim, bruscamente os carros arrancaram, mas logo se notou que não tinham arrancado todos por igual. O primeiro da fila do meio está parado, deve haver ali um problema mecânico qualquer, o acelerador solto, a alavanca da caixa de velocidades que se encravou, ou uma avaria do sistema hidráulico, blocagem dos travões, falha do circuito eléctrico, se é que não se lhe acabou simplesmente a gasolina, não seria a primeira vez que se dava o caso. O novo ajuntamento de peões que está a formar-se nos passeios vê o condutor do automóvel imobilizado a esbracejar por trás do pára-brisas, enquanto os carros atrás dele buzinam frenéticos. Alguns condutores já saltaram para a rua, dispostos a empurrar o automóvel empanado para onde não fique a estorvar o trânsito, batem furiosamente nos vidros fechados, o homem que está lá dentro vira a cabeça para eles, a um lado, a outro, vê-se que grita qualquer coisa, pelos movimentos da boca percebe-se que repete uma palavra, uma não, duas, assim é realmente, consoante se vai ficar a saber quando alguém, enfim, conseguir abrir uma porta, Estou cego.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
A notícia que eu temia
DIA 10
Palco Optimus:
Rage Against the Machine - 00H40
The Hives - 23H10
Gogol Bordello - 21H40
The National - 20H20
Spiritualized - 19H10
Galactic - 18H00
Kalashnikov - 17H00
Metro On Stage:
Boys Noize (DJ set) - 02H20
Tiga (DJ set) - 00H50
Hercules & Love Affair - 23H50
Peaches (DJ set) - 22H20
Cansei de Ser Sexy - 21H10
MGMT - 20H00
Vampire Weekend - 18H50
Sons Of Albion - 17H50
Banda Soundtribes - 17H00
E agora?
MGMT ou The National?
CSS ou Gogol?
The Hives ou Hercules?
Se fossem mas é #&%/$//!
Invisível
Quando era rapazola, o meu herói preferido era o Homem-Aranha. Perfeitamente compreensível. Apreciava o seu maior sentido de humor, quando comparado com o trombudo do Super-Homem, assim como me identificava com o facto do desgraçado ter de encher sempre com uns belos abrunhos para levar a sua avante. Quando se cresce na Buraca, aprende-se, desde novo, que não se ganha sempre e quando se ganha, sai sempre do coiro. O João Baião que o diga.Já mais tarde, e à medida que entrava na fase da pré-adolescência, ganhei um especial interesse pelo Homem-Invisível e pela janela de oportunidades que se abria com o super-poder deste herói. Também nisto, nada de estranho. Vá, digam lá que não! Sim, sim, contem-me histórias. Quantos e quantos não continuam, mesmo como adultos, a desejar o poder da invisibilidade? Aliás, estou convicto que o poder da invisibilidade é mesmo um dos super-poderes mais desejados pela humanidade. Basta observar o número de vezes que se escuta a expressão: “gostava de ser mosca”, que, ao contrário do que eu pensava quando era pequeno, não exprime o desejo de voar, ou comer cocó, mas sim, a vontade de passar despercebido, como mais tarde percebi.
Pois bem, esta conversa toda sobre super-heróis e super-poderes só para introduzir um anúncio bombástico:
Eu, Cramalhinha da Silva, descobri o segredo da invisibilidade!
Não acreditam? Eu explico como. Montam-se numa bicicleta, aventuram-se pelas estradas e ruas deste país e já está! Continuarão a ser exactamente as mesmas pessoas: uma cabeça, um tronco, quatro membros e umas gordurinhas localizadas, no entanto é certinho que ninguém vos irá ver! Serão mais transparentes que o Homem-Invisível. Infelizmente o uso deste super-poder tem alguns inconvenientes: os peões vão atirar-se para a vossa frente, os carros abalroar-vos-ão e não vai haver camião que não tente passar-vos a ferro mas, tirando isso, é impecável. Testado e aprovado. Agora só me falta descobrir uma maneira de levar a bicicleta para o quarto da Scarlett Johanson. Tudo em prol da ciência, claro.
domingo, 22 de junho de 2008
Bailarina
Mariza, sim. Cat Power, também. Arcade Fire, sem dúvida. Dave Matthews, A Naifa, Regina Spektor, Camané, LCD Soundsystem, Sérgio Godinho, The National, todos eles e muitos mais. Mas emoção, emoção, é ver o meu pirralho, num palco, frente a uma sala lotada, a ser ovacionada de pé.
Quero os meus direitos
Boa miúdo, tu vais longe! Só temos de acertar os royalties!
Mariza @ Santarém
- Ó pai, a Mariza?
- Já vem filha, tem calma!
Numa lógica de justiça e rotatividade democrática, este seria o concerto a que assistiriam Mrs. Crama e su madresita, enquanto eu ficaria em casa a tomar conta do pirralho. Acontece que o concerto nem começava assim tão tarde (teoricamente às 21:30) e de democrático eu tenho pouco, muito pouco. Por outro lado, já me apertava o coração, sempre que anunciava a ida a um concerto, ouvir: “E a este, eu vou contigo, pai?”. Vai daí, eram quatro bilhetes se faz favor, e toca de dar “treinos” intensivos de fado, e de Mariza, ao pirralho. Excelente decisão, para não variar. Cof, cof. Só foi pena o atraso com que o concerto começou, decorria já o período de descontos do pirralho, o que fez com que se lhe acabassem as baterias por volta da oitava música. Mas não fez mal. Aquilo que ouviu, sei que não irá esquecer tão cedo e eu, mesmo tendo de a segurar ao colo mais de metade do concerto (e filmar, e aplaudir, não é nada fácil), não me arrependi nada, na medida em que pude assistir a um concerto único e extraordinário. Um concerto que começa com um arrepio na espinha e acaba com uma lágrima a teimosamente querer saltar pelo canto do olho. Mas sobre o concerto, transcrevo a reportagem do DN.
11 mil assistiram ao arranque da digressão de Mariza
João Batista
Nuno Brites
Santarém. Monumental esgotou para ouvir fadista
Estreia do álbum 'Terra' num novo palco para actuações exteriores
Onze mil pessoas assistiram ontem à noite na Monumental de Santarém ao espectáculo que deu início à digressão mundial de Mariza.
O palco redondo montado no centro da arena da maior praça de toiros do País só voltará a ser visto em espectáculos nos recintos ao ar livre, uma vez que a estrutura foi criada propositadamente para este concerto. A estrutura, em forma de um globo azul, é uma referência directa ao novo álbum, Terra, que será lançado no dia 30.
Na noite mais curta do ano, que celebrou o solstício e o início do Verão, o ambiente foi de consagração de Mariza. Na arena de Santarém, a noite esteve fresca e estrelada, mas valeu o caloroso público que não poupou aplausos à fadista. Apesar do atraso de três quartos de hora no início do concerto, Mariza foi recebida na sua entrada em palco com uma ovação dos milhares de admiradores da artista, gritando entusiásticos "És linda!".
O alinhamento do espectáculo começou por privilegiar temas já conhecidas do público, que foi ao rubro ao som de Barco Negro, Cavaleiro Monge, Maria Lisboa ou Meu Fado Meu. Com a imensa plateia já cativada, seguiram-se as canções do novo e quarto álbum de Mariza, Terra, que até agora apenas tinha tido uma apresentação reservada no palco da Culturgest, em Lisboa, na passada semana. Estes novos temas foram muito bem recebidos, com destaque para Rosa Branca, o primeiro single do novo álbum, a merecer fortes aplausos.
Rosa Branca
Um dos momentos altos do concerto contou com a participação do músico Tito Paris. Beijo de Saudade - que sela a participação do cabo-verdiano em Terra - e Dança ma mi Crioula uniram o fado a sonoridades africanas.
Dança ma mi Criola (Tito Paris)
No final do espectáculo os 11 mil espectadores só deixaram Mariza despedir-se ao terceiro encore, em que puderam ouvir dois temas novos - Morada Aberta e, novamente, Rosa Branca - e o já consagrado Ó Gente da Minha Terra. Mariza fez-se acompanhar pelos músicos Diogo Clemente, à viola, Angelo Freire, na guitarra portuguesa, Ruben Alves, ao piano, Marina Freitas, na viola acústica, Viki, na bateria, e João Pedro Ruela, na percussão. O espectáculo foi filmado para o videoclip de promoção desta digressão mundial, que seguirá com um concerto na quinta-feira, dia 26, em Ponte de Lima.
Gente da Minha Terra
Começou, pois, da melhor maneira esta digressão mundial de Mariza. Uma casa cheia para assistir a um espectáculo memorável, em que a voz da fadista fez vibrar a Monumental de Santarém.






















