A Feira de Maio começou oficialmente ontem e só pela noite de arranque já ficou claro que vai ser um fim-de-semana complicadíssimo. Hoje, é a noite da sardinha assada, com a dita à descrição, juntamente com pão e vinho. Há por aqui umas fotos para pôr mas agora não tenho vagar. E com o vosso perdão, se me dão licença, vou ali travar uma batalha dificílima. Vou ver se consigo ir até ao fim da rua e regressar, visitando meia dúzia de tertúlias, sem fazer as figuras do Dias da Cunha (o que era mau) e sem dançar flamenco (que era ainda pior). As probabilidades são as mesmas de o Ronaldo fazer um hat-trick pela selecção mas não se pode desanimar. Tenho de acreditar na vitória… ou não.
Mayra Andrade regressa ao nosso país para apresentar o seu novo disco “Storia, Storia”, numa digressão que irá percorrer as seguintes cidades:
04.06 Porto - Coliseu 06.06 Portalegre - Centro de Artes 07.06 Lisboa - Centro Cultural Belém 09.06 Aveiro - Centro Cultural e de Congressos 10.06 Coimbra - Teatro Académico Gil Vicente 12.06 Caldas da Raínha - Centro Cultural e de Congressos 13.06 Faro - Teatro das Figuras
Eu, por mim, gosto muito de Portalegre. Da Mayra Andrade então, nem se fala!
A teoria não se confirmou. Continuo a perceber o mesmo de violinos que a Manuela Moura Guedes de jornalismo. Aliás, acho que mesmo assim percebo um pouco mais de violinos. De qualquer maneira, a não confirmação desta minha teoria cria automaticamente um nova. Se o talento de Andrew Bird, sendo crescente (facto facilmente constatável na sua discografia), não vai sendo irradiado por este, e portanto diminuindo ou mantendo níveis estáveis na sua pessoa, então esse talento irá se acumular, acumular, acumular, até ele se transformar inevitavelmente numa supernova. Prevejo inclusive que será uma supernova do calibre de um Buckley, de um Byrne ou até mesmo de um Dylan. Digo-vos eu! E olhem que eu percebo mais destas merdas de astrofísica do que a Manuela Moura Guedes percebe de fazer más entrevistas!
O concerto de ontem serviu para confirmar uma teoria e desenvolver outra. A teoria confirmada, aliás confirmada pela enésima vez, é que para ir para a zona da Baixa/Marquês de Pombal, não há nada que chegue aos transportes públicos. No meu caso, a conjugação comboio/metro é de tal forma eficaz, que se a tivesse utilizado, como chegou a ser ponderado, no último concerto do Antony, nenhuma daquelas más recordações existiriam. No caso de ontem demorei sensivelmente o mesmo tempo de uma deslocação de popó, tanto na ida como no regresso, gastei uma fracção do dinheiro (não há cá pão prás Brisas, nem prás Galps, nem prás Emparques, nem pra malucos), fui a ler o calhamaço, vim a ouvir o Andrew, deu tempo para a bela da jola na varanda do São Jorge… enfim, só vantagens. A segunda teoria é de que eu, em princípio, devo saber tocar umas coisas de violino. Como podem ver esta segunda teoria é um pouco mais rebuscada, tendo-me ocupado inclusive boa parte do dia, na sua demonstração. Passando à explicação: “ocupou-me grande parte do dia” porque andei a pesquisar lojas de instrumentos musicais, onde pudesse experimentar um violino; “devo saber tocar umas coisas de violino” porque… bem, é melhor fundamentar primeiro. Se uma pessoa se aproximar muito do fogo… queima-se. Se andar-mos à chuva… molhamo-nos. Se um branquela como eu se expuser ao sol… bronzeia-se. Deu para perceber o padrão? Ora bem, a teoria é a seguinte: a concentração de talentos no Andrew Bird é de tal forma colossal, que o seu corpo deve ter assim uma espécie de capacidade radioactiva emanadora desse mesmo talento. É impossível conjugar naquele lingrinhas os dotes de composição, a voz, o assobio, o domínio do violino, da guitarra… o diabo a sete, sem que aquilo respingue deixando um rasto à sua passagem. Vai daí, estou convicto que a exposição a que fui sujeito ontem deve, aliás só pode, ter produzido algum efeito em mim e possivelmente em todas as pessoas que estiveram no São Jorge. Ora como compor não é, já experimentei e não foi bonito, a voz continua deprimente, o assobio ridículo, a guitarra que tenho ali já me fez saber que também não é por aí, então… só pode ser o violino! Percebem agora porque tenho de experimentar um violino? Tenho de comprovar a teoria antes que o “bronzeado” desapareça.
Ah! Se quiserem saber como foi o concerto leiam aqui que foi mais ou menos isto. Uns videozitos ranhosos ainda se podem arranjar.
[Edit] Setlist: Intro (Swirly, Etho, The Waterjet Cilce); Sovay; A Nervous Tic Motion of the Head to the Left; Why?; Natural Disaster; Oh No; Effigy; SweetMatter (Sweetbreads/Dark Matter); Fitz & the Dizzyspells; Skin Is, My; Masterfade, Tenuousness, Anonanimal. Encore 1: Happy Day; Sectionate City. Encore 2: Tables and Chairs
- Olá pai, como é que foi o concerto ontem? - Foi muito bom. Sabes, umas filas à minha frente estava uma menina pouco mais velha do que tu. - Estás a ver! A próxima vez que o André Pássaro cá vier, eu também quero ir!
Gonçalo Pereira, editor executivo do 24 Horas, escreve hoje no jornal Global:
“UM POVO QUE NÃO VAI COM OS PORCOS
A gripe suína, rebaptizada como gripe A para não ofender os humanos que se travaram de razões com ela, é um tema enfadonho. Nem é uma doença, é uma expectativa. Esperamos que ela apareça; de vez em quando temos um ameaço e depois... népias. Devemos ter uns anticorpos fantásticos. Aliás, sendo a gripe suína, deveriam ser chamados antiporcos... Mas se o vírus chegar, vai ser uma catástrofe. Alguém imagina portugueses de máscara na rua? Esta semana, uma idosa sob observação fartou-se e foi-se embora do hospital, prometendo não voltar. O melhor é arranjarem outros métodos de despistagem: quando alguém for candidato à doença ponham um trilho de bolotas desde casa até ao hospital. Se o suspeito lá aparecer, nem mandam análises ao Instituto Ricardo Jorge.”
Nesta crónica detecto (pelo menos) dois erros que me merecem reparo. Em primeiro lugar, o último parágrafo, que devia ser: “O melhor é arranjarem outros métodos de despistagem: quando alguém for candidato à doença ponham um trilho de bolotas desde casa até ao hospital. Se o suspeito lá parecer, mandem-no para a redacção do 24 Horas. As análises são desnecessárias.” O segundo erro encontra-se no título, o qual se percebe facilmente que está incompleto. Correctamente será: “UM POVO QUE NÃO VAI COM OS PORCOS MAS QUE LHES COMPRA JORNAIS”
- Olá filha, que tal o teu dia? - Foi bom, e o teu? - Também. - Ontem vieste tarde. O que é que foi o petisco? - Ontem foi açorda! - E no outro dia? - No outro dia foi rojões! - Quando for grande quero ter um emprego assim!
* - Para comemorar os meus 20 anos de motociclista foi reeditado o mítico álbum Ten, um dos meus preferidos de todos os tempos. Há quem diga que teve a ver com os 20 anos dos Pearl Jam mas isso é puro mito urbano.
Andrew Bird no Cinema São Jorge. 24.05.2009 - 21:30. Repitam, todos comigo: 21:30. Outra vez: 21:30. Boa! Agora com data: 24.05.2009 - 21:30. OK, acho que está. Bem hajam!