Autêntica maratona musical! 8 horas e 36 minutos a ouvir música, que é só a melhor marca do ano. No fim, não podia com um copo de cerveja pelo rabo mas isso são outros quinhentos.
Destaques da maratona
Eagles of Death Metal (só uma amostra)
Late of the Pier
Hadouken! (surpresa 1)
The Kooks
Blasted Mechanism
Coldfinger (surpresa 2)
Does it offend you, yeah?
Placebo (concerto da noite)
Fischerspooner
Prodigy (terraplenagem da noite)
The Ting Tings
PS - Post a editar quando houver vagar. E agora se me dão licença, tenho uma piscina e três miúdas em bikini à minha espera. OK, e um marmanjo que também não é má pessoa, vá! [Edit: seis miúdas. Estava a esquecer-me das mães]
Um dia musicalmente muito abaixo das expectativas. O som do palco Super Bock, aquele cujo cartaz mais me atraía, esteve simplesmente horrível. Mal empregues Silversun Pickups, Air Traffic e TV on the Radio! Quando chegou a vez de Klaxons, que também pretendia ver, nem arrisquei colocar em risco a boa impressão que tinha deles da actuação no SBSR de 2007 e zarpei para o palco principal. Felizmente, ontem, tive a companhia de vários amigos, alguns que já não via há muito tempo, o que compensou a má prestação musical deste festival. Isso e Metallica, claro!
É um termo que apenas umas 30 pessoas (se tanto), de proveniência bem definida, conhecem e sabem o significado… até agora! Os gramáticos de serviço dirão que se trata de gíria, eu gosto de pensar nela como um nanoregionalismo. É uma palavra que se pode considerar nova, recente. Tem cerca de 17 anos. Foi inventada por um amigo, para descrever o comportamento de outro amigo comum. Na sua origem está um prazer incompreendido. Refiro-me concretamente ao prazer de andar de mota. Aos 16 anos, a liberdade proporcionada por uma mota era (e ainda é) algo de incrível. De repente, a cidade ficava do tamanho de uma aldeia. As praias, os cinemas, as discotecas, tudo era “logo ali”. E os amigos faziam-se cada vez mais longe. Nessa vertigem de prazer, arrancar com a mota ruas e estradas fora era absolutamente irresistível, mesmo que não houvesse uma razão a justificar os quilómetros percorridos. O termo catchamela nasce assim para descrever um passeio de mota sem nenhum objectivo, que não o próprio prazer de andar de mota. É, como cantava o Luís Represas, na 125 Azul, o “partir sem destino nenhum”. Para simplificar a vida aos senhores que hão-de fazer os dicionários da Língua Portuguesa, daqui a uns anos, deixo já a entrada:
Catchamela – s. f. o acto de passear, de percorrer ou fazer percorrer uma certa extensão de caminho por prazer; dar uma catchamela – dar um passeio andar às catchamelas – andar às voltas
és um catchamelas - és errante, aéreo (com a cabeça no ar)
* - Respondendo à Io, a quem agradeço desde já a visita e o comentário que muito me honram.
- Então,sempre vais ao Alive? - Sim, comprei hoje o bilhete. - Os três dias? - Sim. - Não tens vergonha!? Pareces um puto de 18 anos! - Obrigado, tu também não estás nada mal! - E sempre levas mota? - Levo a mota para Lisboa mas o meu pai vai-me lá pôr. - Correcção: pareces um puto de 15 anos!
Afinal tudo se resolveu com uma ida ao Continente da Amadora, onde se encontrava todo o cação disponível para a zona de Lisboa, ao módico preço de 14,79€/kg. É caso para dizer: nunca se encontra uma Alta Autoridade para a Concorrência quando é preciso uma! Desdramatizado o drama, caçãozinho do melhor no saco e siga para Sopa de Cação, naquele que foi mais um jantar ajantarado em contexto laboral, desta vez com a participação de altas patentes que se juntaram às patentes habitues.
Ingredientes (para 7 atletas)
2kg de cação cortado às postas 1 molho grande de coentros 1 cabeça de alho 1 folha de louro 1 malagueta pequena 1 limão 1dl de azeite 1dl de vinagre de vinho 100g de farinha de trigo 1kg de pão alentejano cortado em fatias finas Sal, pimenta e água q.b.
Preparação
Tempere o cação com sal e pimenta e regue com sumo de limão. Pique os alhos muito bem picadinhos, deite numa panela grande, regue com o azeite e refogue em lume brando. Quando os alhos estiverem meio cozinhados, junte os coentros e a malagueta também muito bem picados assim como a folha de louro. Passado uns minutos – com o cuidado de não deixar queimar nem os alhos nem os coentros – regue com água previamente aquecida (para poupar tempo). Quando levantar fervura, junte o cação e deixe cozer cerca de 10 minutos, sempre em lume brando. Ajuste de sal. Depois de cozido o cação retire as postas e reserve. Retire também alguma água da cozedura e dissolva nela a farinha e o vinagre. Se necessário triture com a varinha mágica para dissolver eventuais grânulos. Deite este preparado na panela através de um passador, novamente para evitar a formação de grânulos no caldo. Deixe ferver por 5 minutos para engrossar ligeiramente. Sirva em malgas, ou pratos de sopa, da seguinte maneira: coloque algumas fatias de pão, a dose de cação e regue com o caldo.
A kizomba dos Irmãos Verdade e os ritmos brasileiros de Alexandre Pires a confirmarem pela enésima vez que, ao contrário do sangue (que é O+), em termos de ouvido sou AB+, ou seja, receptor universal. Haja boa disposição… E boa disposição foi o que não faltou, ao muito público que participou neste último dia de Delta Tejo e que foi, ele próprio, um espectáculo dentro do espectáculo, pelo menos para mim, que gosto de apreciar o trabalho de quem percebe da poda no que se refere a abanar o esqueleto. Um regalo... a repetir para o ano!
- Então Crama, não danças!? - Não, não sou muito dado ao multitasking, só consigo fazer uma coisa de cada vez... - Como assim!? - Ou danço, ou estou sóbrio.
OqueStrada, ou dar por mim, especado em frente a um palco, com um sorriso rasgado e parvinho, a controlar uma vontade enorme de dançar e pular como se o mundo acabasse amanhã. Como se pode perceber, estou (artisticamente) apaixonado pela Miranda e sus muchachos.
Deolinda e a satisfação de assistir ao desempenho de uma máquina cada vez mais oleada e rodada e por isso mesmo, com performances cada vez melhores. Completamente topo de gama, neste Delta Tejo. Qualidade de som como raramente se ouve em festivais, aproveitada por uma Ana Bacalhau simplesmente arrasadora.
Vanessa da Mata. Um concerto que começou (muito) atrasado e algo morno. Melhorou, em crescendo, com o decorrer da actuação justificando a espera e o derradeiro esforço. Pode ser considerado por alguns um tanto ou quanto desfasado para o contexto festivaleiro. Me likes.
Estreia para mim neste festival que, para já, está a exceder as expectativas. Logo à entrada, nota positiva para o recinto. Gostei da sua inclinação natural, que permite bons locais de visualização sem ser “lá no meio da molhada”. Gostei dos comes-e-bebes distribuídos, que evitam grandes deslocações, e da sombra das árvores, factor sempre importante para este branquela que gosta de ir abrir as portas dos festivais. Ainda antes de entrar, gostei também das acessibilidades e da facilidade de estacionamento, nada a ver com a confusão habitual do Alive. Continuando nos pontos positivos, gostei do programa do palco principal iniciado pelos brasileiros Monobloco que geriram muito bem a ingrata tarefa de abrir as hostilidades ainda com o sol bem alto e com pouca massa crítica (leia-se público). Conseguiram reunir uma excelente moldura humana (estava a ver que não escrevia moldura humana neste blogue!) e pô-la a dançar sob os ritmos do samba, do frevo, do funk, do… eu sei lá o quê! O grupo seguinte – os Orishas – não me cativaram tanto. Apesar dos ritmos caribenhos temperados de electrónica, as perninhas por esta altura já diziam: “Ó Craminha vai lá com calma que ainda só são 9 horas!”. Seguiu-se Baju Banton, esse grandessíssimo filho da Jamaia, que levou o Alto da Ajuda até à sua ilha natal, pondo novamente uma grande maralha a dançar numa festa reggae em Kingston. Como se pode depreender, nesta altura as pernas já viam a sua vida a andar para trás. Acto continuo, nova viagem, desta vez à Nigéria de Nneka. Era uma das actuações que mais me aliciava neste dia, mas o som da tenda e os Skank a bombar no palco principal retiraram alguma magia ao soul africano da menina do cabelo espetado. Ainda assim, alguns bons momentos com destaque para VIP e claro Heartbeat. Como disse, enquanto Nneka actuava, deu-se início a actuação de Skank e bombar é de facto o termo que define o concerto destes mineiros. Grande som e grande prestação do Samuel Rosa, vocalista cheio de carisma que não tem medo de assumir as despesas do jogo (dá para perceber que estou a libertar o Gabriel Alves que há em mim). Last but not least, Bajofondo Tango Club, os argentino/uruguaios que fazem com que a conta “Tango + Electrónica = Gotan Project” não seja uma verdade absoluta. Grande prestação a transformar outra vez o Alto da Ajuda em megadiscoteca e a dar o tiro de misericórdia na minha metade inferior. Isto foi o bom, agora vamos ao menos bom: Cadeiras! Quem diz cadeiras, diz bancos, pufs, troncos, qualquer coisa, mas por amor da santa arranjem mais sítios onde se possa arrear o backside e dar descanso aos jambons! Também me desapontou o segundo palco, principalmente pelo som e pelo ruído vindo do palco principal. Agora verdadeiramente de bradar aos céus foram os preços praticados nos comes-e-bebes. 2,5€ por uma cerveja!!! 3,5€ por qualquer coisa para trincar!!! Eu compreendo que a prevenção de acidentes rodoviários aconselha a implementação de métodos que reduzam o consumo de álcool e nesse aspecto o Delta Tejo tem resultados primorosos mas, se me permitem, só uma pergunta parva: e quem não tem de conduzir!? Repito: 2,5€ por uma cerveja!!! Já vi comas alcoólicos mais baratos!!! Xor Nabeiro, veja lá isso.
O brinquedo chegou hoje e é a coisa mai linda do mundo!!! E o melhor é que não é algo que em três tempos esteja a debitar decibéis. Não senhor, dá trabalho, dá luta! É preciso montar porque vem às peças, é preciso afinar com precisão e paciência de relojoeiro – nivelar, ajustar a correia do motor, o peso da agulha, o ângulo vertical – e depois sim, ligar os cabos e desfrutar. É giro isto do vinil, ou melhor “deste vinil”. Faz lembrar as motorizadas 50cc. Dá para inventar e brincar aos mecânicos. Este meu até já vinha kitado e tudo. A célula de origem deu logo lugar a outra mais xpto. Está impec e soa que é um luxo, apesar de lhe faltar a rodagem. E por falar em rodagem… Qual o LP que teria a honra de estrear o biju? Foi a dúvida que se colocou no final da montagem. Depois de passar em revista a colecção de vinis, decidi que inauguraria a nova era do vinil com o Master of Puppets, dos Metallica. Recebi este disco no meu 14º aniversário. Foi prenda da R. que me o ofereceu por sugestão do metaleiro do sobrinho. Na altura, o rock mais pesado que eu ouvia seria Bruce Springsteen, ou algo por aí. Lembro-me perfeitamente, quando tirei o disco do embrulho. A primeira reacção foi de espanto. Nunca tinha visto um Picture Disc. Já Metallica não me dizia nada. Prato a girar e passados uns segundos os primeiros acordes de Battery. A princípio agradou-me a introdução de guitarra mas aos primeiros reefs frenéticos a reacção ficou entre o medo e o trauma. Não estava preparado para aquilo. O disco recolheu à embalagem e ali esteve durante anos. Só após o lançamento de Metallica, o álbum preto, que em 1991 massificou o fenómeno Metallica (quer queiram, quer não) é que me lembrei que tinha, lá no meio dos vinis, nesta altura já encafuados dentro de um armário, algo desta banda. Quando redescobri este disco fiquei siderado. É, de todos os álbuns que tenho, aquele que está mais perto do conceito de jóia. Tenho-lhe uma estima imensa. E continua a soar que é uma maravilha apesar de precisar de uma limpeza a fundo, como todos os outros discos. Melhor que isto só ao vivo. Por falar nisso… falta uma semana! Hell Yeah!!!
Metallica - Master of Puppets (1986)
Lado A
Battery (5:10) Master Of Puppets (8:38) The Thing That Should Not Be 6:32 Welcome Home (Sanitarium) (6:28)
Por mais que eu tentasse explicar que a Gisele não existe, que não há mulheres assim, que aquilo mais não é que o resultado de softwares informáticos state-of-the-art e de computação gráfica levada ao extremo, a Provedora do Blogue (aka Censora-Mor) fez saber que discorda da publicação daquele tipo de conteúdos, num nível que fica assim entre o tapete da rua e os sacos do Continente à porta.
Face ao exposto, a Administração do Tasco vem por este meio informar todos aqueles que pensavam vir para aqui à procura de fotos da Adriana
da Heidi da Doutzen da Miranda e de outros softwares que tais, que este blogue é pouco dado às novas tecnologias.