O mês das colheitas, das vindimas e do vinho. O mês das maçãs que sabem a maçãs. O mês do sol delicado antes do amuo que traz o Outono. O mês do adeus às andorinhas. O mês do regresso à escola e dos livros a cheirar a novo. O mês da filha, da avó, do sobrinho, da prima, do primo, da madrinha, da SA, do Juca, da Ana, da outra Ana e de tantos telefonemas a fazer. O meu mês.
Contraplacado de pinho de 3mm (caixa de garrafas de vinho em madeira), ripa de bétula, arame de 0,8mm, pregos, cola de madeira, verniz teca, 4 horas de trabalho
- Pai, anda brincar comigo. - Agora não posso. - Então dá-me papel e lápis para eu desenhar. Vou fazer uma obra-prima! - Boa! Aqui tens! - Eu acho que tu também devias fazer uma obra-prima. - Eu já fiz uma obra-prima. - Já!? - Sim, fiz-te a ti. És a minha obra-prima. - Tens razão! - Pois… Só falhei foi na modéstia.
Um mês volvido, desde o Alive, e de novo os Linda Martini. Agora num palco maior, com som melhor e com cerveja a menos de metade do preço. E ainda por cima a um quarto de hora de casa. Programa imbatível para ontem à noite. Os clips é que continuam a sair uma caquinha. O baixo da Cláudia Guerreiro – uma das miúdas mais sexys da música portuguesa, diga-se de passagem – arrasa simplesmente com a minha pequena maquineta de filmar. Mesmo assim, fica uma amostra do concerto de ontem.
E assim de repente, resistências, suportes, médias móveis, estocásticos e outros que tais voltaram a fazer parte da tralha que me queima as pestanas. Que a investida do touro seja forte e prolongada. É o que se quer.
- E que nomes vais dar aos bois novos? - Humm... não sei. - Se são bois acho que deviam ser nomes começados por B. - É isso pai! Diz aí dois nomes começados por B. - Bush e Berlusconi. - Boa pai! Este é o boi Bush e este o boi Berlusconi!
Logo, quando o pirralho chegar, vai ter à sua espera mais uma peça para a quinta – o carro de bois. Para o construir utilizei madeira de pinho (aproveitada de uma caixa de garrafas de vinho), palitos de espetadas e tinta de esmalte. Não utilizei exclusivamente um único carro de bois real como modelo. Tirei antes ideias de vários carros que encontrei pela net. Tentei deixá-lo, o máximo possível, fiel à realidade, mas houve certos pormenores que deixei passar por se tratar de uma peça que é, antes de tudo, um brinquedo. Espero que ela goste…
Alguns dos modelos reais que serviram de inspiração
É mais ou menos da minha idade mas está em muito pior estado… por enquanto. Trata-se de uma Peugeot 104, do início dos anos 70, que poderá muito bem vir a ser a primeira motoreta do pirralho. Recuperar esta relíquia vai ser, daqui por diante, mais um entretém a juntar a tantos outros.
Se tudo correr bem, daqui por uns tempos estará mais ou menos assim
- Então, e como é que têm sido os teus dias de solteiro? - Nada de especial. Como restos, bebo leite do pacote e tenho as tampas de todas as sanitas cá de casa levantadas. Basicamente é isto.
Foi talvez o LP mais rodado durante a minha adolescência (ainda em curso, claro). Por essa razão, tinha algum receio quanto ao seu estado de conservação. O vinil tem esta desvantagem, quanto mais se ouve mais se gasta e se não houver cuidados de manutenção – limpeza, lavagem, armazenamento – então os danos são mais que certos. Não foi, felizmente, o caso deste Born in the USA. Por fora, tanto a capa como a subcapa, com fotos de Annie Leibovitz, estão impecáveis. A bolacha, tirando alguns riscos superficiais e alguma batata frita, só audível no intervalo das faixas, está muito lá, rijinha e com tudo no sítio: a voz rouca do Boss, a guitarra do pirata Little Steven Van Zandt, o saxofone do colosso Clarence Clemons, a bateria de Max Weinberg – actualmente mais conhecido pela regência da banda que acompanha o Conan O´Brian – e ainda Garry Tallent, Roy Bittan e Danny Federici, respectivamente no baixo e teclas. Considero que foram estes senhores que me abriram as portas do rock, mostrando-me diversos caminhos em todas as direcções; à volta (Dire Straits, U2, The Smiths…), para a frente (Guns N’ Roses, Nirvana, Pearl Jam, Metallica, Dave Matthews Band…) e até mesmo para trás (Rolling Stones, Beatles, The Doors…). Foi também a porta de entrada para o resto da discografia de Bruce Springsteen que já ia, contando com este, no seu 7º álbum de estúdio, facto verdadeiramente notável. Um 7º álbum todo ele de singles, dos quais 7 chegaram ao top ten americano. Um marco incontornável na história da música. Estima-se que vendeu mais de 25 milhões de cópias em todo o mundo. Uma delas é minha desde 1985.