terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Quero o meu país de volta

Comprei o último de sete bilhetes da 2ª data de Norberto Lobo na Culturgest.
Reparou na bem na dimensão do que esta frase encerra? Não? Vou repetir.
Comprei o último de sete bilhetes da 2ª data de Norberto Lobo na Culturgest.
E então, já está a ver? Sociologia… Comportamento de massas… Perca de identidade… Não?
OK, vou explicar. A segunda data (adicional) de Norberto Lobo está tecnicamente esgotada. A primeira esgotou faz tempo. Estamos a um mês dos concertos. Ou seja, a um mês dos concertos, se me descuido, ficava a arder. Foi o que me aconteceu com Muse, idem idem com Franz Ferdinand, aspas aspas com Arctic Monkeys e por pouco com o Três Cantos, Rodrigo Leão e Tindersticks. Perante isto, pergunto eu: mas onde está o bom e velho hábito português de deixar tudo para a última!? O célebre “deixa para amanhã o que podes fazer hoje”? Mas anda tudo maluco, ou quê!? Querem ser suecos, é!? No outro dia ouvi que o IRS ia ser pago em Março. E o que é que se segue, deixarmo-nos de digladiar na estrada, um serviço nacional de saúde decente, é isso que querem, é!?
Sempre disse que esta treta da União Europeia iria acabar com a identidade nacional.

segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Brincando aos Clássicos


Mais um dos discos trasladados do Alentejo que tem tido requisições constantes. Está-se mesmo a ver de quem, não é verdade? Não chegou ter sido completamente estafado na meninice de Mrs. Crama y su irmanita, renasce agora, quase 30 anos depois, para nova saga de trabalhos forçados, numa prova de que este “Brincando aos Clássicos” pode ser também ele considerado um clássico. A fórmula era simples. Pegando em melodias orelhudas de obras clássicas, adapta-se um arranjo de sonoridade popular, mais uma letra consonante com o universo infantil, et voilà, algo para levar qualquer pai ao tormento. Não é felizmente o meu caso, que por aqui as refeições musicais são regradas de modo a proporcionarem uma alimentação variada e saudável. Caso contrário, não duvido que ouviria este disco em repeat dia e noite a mando de Sua Exa. Pirralheira. Curiosamente, uma das músicas deste disco chama-se Catarina e a sua letra não podia ser mais adequada.

Brincando aos Clássicos – Ana Faria

Lado A
Luís (adaptado da ária “La Donna è Mobile” da ópera Rigoletto de Verdi)
Clara (adaptado do “Hino à Alegria” da 9ª sinfonia de Beethoven)
João (adaptado da Abertura da ópera de Guilhermo Tell de Rossini)
Ana (adaptado da 1ª cena do II Acto do Lago dos Cisnes de Tchaikovsky)
Miguel (adaptado da Marcha Turca de Mozart)
Catarina (adaptado do 4º Andamento da 7ª sinfonia de Beethoven)

Lado B
Nuno (adaptado da Dança das Horas da ópera Gioconda de Ponchielli)
Joana (adaptado da “Barcarola” dos contos de Hoffmann de Offenbach)
Marta (adaptado da “Habanera” da zarzuela La Verbena de la Paloma de Breton)
Pedro (adaptado do Concerto n.º1 para piano de Tchaikovski)
Rita (adaptado da Valsa Brilhante, op. 18 de Chopin)
(adaptado da “Habanera” da ópera Carmen de Bizet)
Clara (adaptado do “Hino à Alegria” da 9ª sinfonia de Beethoven)

video

domingo, 7 de Fevereiro de 2010

Samuel Úria @ Centro Cultural do Cartaxo




sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Digamos que uma pessoa incha

Na catequese:
- "Agora os meninos vão dizer-me uma coisa boa que Deus tenha feito por vocês. Catarina, o que é que Deus fez de bom por ti?"
- "Deu-me o meu pai e a minha mãe."

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Virou as costas e saltou

Não o conheci, não sei nada dele, apenas o senti morrer debaixo dos pés, no dia em que decidiu fazer do comboio o fim da linha.

I bet I'd look good on this dance floor

Não me entendam mal, Tindersticks foi muito bom. A voz do Staples, a qualidade da banda, a melancolia dos temas a roçar a magia, blá, blá, blá. Mas, num mundo perfeito, eu era ubíquo e hoje acordava com uma ressaca das antigas.

quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Tindersticks @ CCC Caldas da Rainha

O arranque da tournée de apresentação de Falling Down A Mountain. Sala cheia, som 5 estrelas, banda impecável nesta nova configuração e a voz de Stuart A. Staples que continua a ser tudo aquilo que se ouve em disco. No entanto, ia à espera de algo mais. Achei o concerto curto (para variar) e acho que a aposta nos temas do novo álbum (como é natural) não justifica o deixar de lado alguns clássicos mais antigos.
Para mais tarde recordar, um clip de alguém (a quem eu agradeço) que conseguiu ludibriar os vigilantes da sala



e o videoclip do (quanto a mim) momento mais alto do concerto


Tindersticks - "Dying Slowly"
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segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco

Úria - 1 Tindersticks - 1



O Cante da Terra

- “Então e os vinis!?”
Os vinis vão bem e recomendam-se. Há três meses, desenterrou-se e trasladou-se a colecção de juventude da Mrs. Crama e, desde então, tem sido um corrupio de lavar vinil e pôr a tocar. Só a falta de vagar tem impedido a actualização da saga “Bolachas”. Hoje, no entanto, como estou com a mão quente, deixo aqui uma amostra de um disco que deu muito prazer a redescobrir à Mrs. Crama. Trata-se de um LP que rodou muito durante a sua infância, de tal maneira que ainda hoje sabe a maior parte das músicas de cor. O desgaste visível e audível é notório mas mesmo assim continua a ter um som perfeitamente aceitável, sendo fácil identificar as vozes do grupo de cantadores, onde se destacam os mediáticos Vitorino e Janita Salomé. Directamente da Vila do Redondo e do ano 1978…


Cantadores do Redondo – O Cante da Terra

Lado A

É na Vila do Redondo
Quando caiu a neve
Décimas e saias da camisinha azul (Mote)
Décimas e saias da camisinha azul (Saias)
Rosa branca desmaiada
Salas dos Foros
Borboleta mensageira

Lado B

Cavaleiro real
Décimas e saias do Redondo
As nuvens que andam no ar
Saias de Santo Aleixo
Oh menina Florentina


video
Décimas e saias da camizinha azul
(São Romão / Vila Viçosa)

domingo, 31 de Janeiro de 2010

Sopa Até Que Enfim


Porquê “Sopa Até Que Enfim”? Primeiro, porque foi uma sopa feita em regime de marcha à vista, ou seja, pode-se dizer que a inventei e, como tal, precisava de a baptizar; segundo, porque ando há mais de dois anos para fazer esta sopa. Explicando. Há muito, muito tempo, fui um dia almoçar a casa da tia S.. Serviu-me uma sopa que tinha acabado de fazer e que estava tão boa que pedi-lhe a receita. Infelizmente não a tinha, ou não me quis dar, ainda hoje estou para saber. Disse-me que tinha sido feita com dicas de uma amiga mas tendo a mão da experiência como guia supremo. Fixei no entanto alguns ingredientes: frango, aipo e grão e registei o aroma, a lembrar perfumes orientais. Desde então, sempre que passo num mercado, ou na zona dos legumes de um supermercado, que tenha aipo, lembro-me da sopa da tia. Hoje aconteceu-me precisamente isso. Andava às compras e enquanto escolhia fruta, veio-me ao narigame o aroma de uns molhos de aipo muito viçosos. Não é tarde, nem é cedo! Comprei mais algumas coisas que me pareceram adequadas e fiz-me às panelas. Agora, depois de degustada por toda a família, posso afirmar que a Sopa Até Que Enfim superou as todas as expectativas. Estava óptima!

Ingredientes:
- ½ frango
- 2 cebolas (1 grande e 1 pequena)
- 1 folha de louro
- 50g de gengibre fresco
- 1 batata grande
- 1 chuchu
- 2 colheres de sopa de polpa de tomate
- 1 frasco de grão cozido
- 1 molho de aipo
- 2 cenouras
- 100g de massa “cotovelos pequenos”
- 50cl de azeite
- 1 colher de sopa de molho de soja
- Sal

Preparação
Coloque numa panela: o frango, a cebola pequena, a folha de louro e o gengibre descascado e cortado aos pedaços. Junte cerca de 1 litro de água, tempere com sal e deixe ferver até cozer. Depois de cozido, desosse o frango. Coe e reserve o caldo da cozedura.
Corte a cebola às rodelas, junte o azeite e leve a refogar em lume brando numa panela grande. Quando a cebola começar a ficar transparente, junte a batata e o chuchu cortados aos cubos, a polpa de tomate, 1/3 do frasco de grão, o molho de soja, um copo de água e deixe cozinhar bem, mexendo de tempos a tempos. Ajuste de água se necessário. Quando todos os ingredientes estiverem bem cozidos, triture com a varinha mágica até reduzir tudo a um creme. Adicione o caldo do frango e quando estiver novamente a ferver junte primeiro as cenouras cortadas em pedaços pequenos, seguidas da massa, do resto do grão, dos pedaços de frango e por fim das folhas do aipo cortadas ligeiramente.

Farmville é para meninos*





* - ou: Visitando a vizinhança

sábado, 30 de Janeiro de 2010

Úria - 1 Tindersticks - 0

Rodrigo Leão e Cinema Ensemble @ C. C. Olga Cadaval


Pedro Almodóvar disse, algures, que considerava Rodrigo Leão um dos compositores mais inspirados do mundo. Pois então registe-se também que considero Pedro Almodóvar um dos mais esclarecidos cineastas do mundo, no que toca a conhecimentos musicais. No entanto, apesar deste meu incondicionalismo, ontem a caminho de Sintra, teorizava em como o concerto de Rodrigo Leão e Cinema Ensemble seria uma desilusão. Três horas mais tarde, comprovou-se mais uma vez que o meu altamente elaborado e complexo raciocínio estava certo (whatelse is new!) e a experiência infelizmente confirmou a teoria. Do alto da minha insatisfação perguntava ontem à noite: mas em que período obscuro do passado se tornou concebível um concerto destes ter menos de 5 horas!? Quer dizer, apregoa-se aos sete ventos as desvantagens e os perigos do coitus interruptus, anda a medicina a combater a ejaculação precoce e, ao mesmo tempo, organizam-se concertos de Rodrigo Leão e Cinema Ensemble com menos de duas horas!!! Sinceramente às vezes não compreendo este mundo que habito. Agora fora de merdas. A música de Rodrigo Leão está num patamar de bom tão alto que sabe sempre a pouco, seja ao vivo, seja enlatada sob a forma de discos como este “A Mãe”, o álbum de 2009, que o compositor dedica ao mais puro dos amores e em torno do qual girou este concerto. É o luxo absoluto, ponto. Combina na perfeição com artigos de pele, com cognacs topo de gama e charutos cubanos. Se a música fosse a indústria automóvel, Rodrigo Leão seria sem dúvida a Rolls Royce. Por falar nisso, se alguma alminha caridosa que me esteja a ler quiser emprestar-me um RR Phantom para dar umas voltinhas – com chauffeur evidentemente –, posso assegurar que o desfrute seria com certeza ao som do senhor Rodrigo. Em relação ao concerto propriamente dito, às imagens ali de baixo pouco tenho para acrescentar. Referir talvez que as meninas e os meninos do Cinema Ensemble merecem também o estatuto de semidevindades do mestre e que a voz da Ana Vieira é sublime em pelo menos 5 línguas (português, espanhol, francês, inglês e russo). Destaque também para a excelente participação de Gomo, que interpretou a música “Cathy” (cantada no disco por Neil “The Divine Comedy” Hannon), bem como um inédito composto a meias e acabado “apenas há dois dias”. Enfim, luxo, luxo, luxo… é a palavra que associo há muito a Rodrigo Leão e que ficará associada também a este concerto. Mas se o Rodrigo se dedicasse também ao tantrismo… isso é que era!


Rodrigo Leão no C.C. Olga Cadaval

MyPortugal | Vídeo do MySpace

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Ó mãe, esta música faz-me ficar triste

Entretanto o castigo acabou

- Estou, pai.
- Sim, filha.
- Hoje vais a um concerto?
- Sim, estou a caminho.
- Eu também vou a um concerto!
- Ai é! A que concerto é que vais?
- A um de música clássica! Um concerto com piano e violinos!

Crime e Castigo

O Pirralho portou-se mal na escola. Está de castigo. À noite não há brincadeira e na televisão só tem permissão para ver programas com a Júlia Pinheiro. Acreditem: custa-me mais a mim do que a ela.

Un Prophète

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Pai, põe aquela no meu mp3

2,666 kg

Como é que se lê o Bolaño sem arranjar uma hérnia discal?

domingo, 24 de Janeiro de 2010

Plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho

Será que 50 árvores não compensa o livro?

Slumdog Millionaire

Vicky Cristina Barcelona

40 pessoas, 2 horas, 1000 árvores





sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

A minha primeira enxada

Passageiros em Trânsito, de José Eduardo Agualusa

Presidenta

De manhã, acabada de se arranjar para ir para a escola, em frente ao espelho.
- Este casaco fica-me mesmo bem!
- Chama-se “blazer”.
- Pareço uma presidenta!
- Ai é!?
- É! Pareço a Manuela Ferreira Leite!
- Credo filha!
- Mas com menos rugas!

quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Les beaux gosses


Realização: Riad Sattouf
Elenco: Vincent Lacoste, Alice Trémolière, Anthony Sonigo, Julie Scheibling
Ano: 2009
Título em português: Uns belos rapazes

Raclette


Rezam os canhenhos que se trata de um prato originário da região dos Alpes. O seu nome vem do queijo homónimo que, depois de aquecido à lareira (o que o derretia em parte), era raspado para o prato dos comensais acompanhando essencialmente batatas cozidas, picles e charcutaria. Foi mais ou menos assim que tive contacto com este prato, em França, em casa do Q. Segundo me contou, a raclette é muito comum nas estâncias de ski da zona dos Alpes, dado que é um prato que se presta ao convívio, principalmente ao serão, isto depois de se ter passado um dia inteiro pista-acima-pista-abaixo. Em muitos aspectos assemelha-se ao fondue ou aos grelhados na pedra. A refeição é praticamente confeccionada à mesa e envolve todo aquele ritual da preparação pessoal, o que o torna um prato bastante “social”. Com esta coisa do progresso, actualmente o queijo já não costuma ser derretido à lareira, tendo-se vulgarizado uns aparelhos com uma resistência eléctrica, junto da qual se aquecem umas pequenas frigideiras onde se colocam pequenas porções de queijo a derreter. A que veio parar cá a casa, para além de aquecer as frigideiras, dispõe de uma chapa onde se podem também grelhar alimentos. Posto isto, ficam algumas sugestões, dado que não existe propriamente uma receita de raclette.

Ingredientes base:
- Queijo Raclette
- Batatas cozidas com casca
- Charcutaria (presunto, fiambre, salsichas, paio, chorição…)
- Picles (cebolinhas, cornichons…)

Ingredientes alternativos:
- Legumes cozidos (bróculos, cenouras, feijão verde…)
- Saladas
- Bifinhos para grelhar (frango, peru, porco, vitela…)
- Batata-doce assada
- Cogumelos
- Ananás cortado às rodelas (para grelhar)
- Etc, etc, etc

Preparação:
Coza as batatas e os demais legumes e leve-os à mesa num recipiente que os mantenha quentes. Ponha todos os restantes ingredientes na mesa, ligue o aparelho e siga a imaginação.

terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Vem cavar connosco


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Quem gaba, (também) quer comprar

- Estás tão gira, mãe!!!
- Obrigada, filha!
- Quando for grande, posso usar as tuas roupas?