segunda-feira, 27 de julho de 2009

Comer e madeirar é só começar

Tudo começou com o Tio Juca a achar que o Pirralho ia gostar de ter um estábulo para brincar.

Depois, como achou que dormir, ler e ir à praia não eram actividades suficientemente cansativas, tratou de alinhavar um segundo estábulo para o papá também poder fazer o gosto ao dedo, durante os dias marroquinos-de-cima.

Acabados os estábulos, porque não um picadeiro?
Claro, como é que eu não me lembrei! Sai um picadeiro!

Mas a coisa não fica por aqui. Ali o metro e vinte de gente já me fez saber que giro, giro era haver também um galinheiro para os patos e as galinhas, um curral para as cabras e ovelhas, um cortelho para o porco, uma carroça para o burro, uma casota para o cão…

Estou feito!
Bem hajas Tio Juca!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Agora que penso nisso...

A experiência da gramática
trouxe consigo silenciosos prazeres, estreitos
de mar junto ao sensível estuário,

o mais exacto modo
de servir nuvens, lenços escarlates,
o sonho de muitos dias absortos

e misteriosamente recentes, como o golfo
e o irresistível silvo das flechas,
ou seja: a indicação
de caminhos no som, aonde
não chegámos às primeiras horas, e o vento
está traduzindo nas madeiras,

disciplinado, minucioso, percorrido
pelo frémito de a
morais figuras:

alguma vez já não fará sentido
o cheiro das pálpebras, o ruído
das limas na garganta;

António Franco Alexandre, in Poemas

... acho que nunca me tinham oferecido um poema.

Um repetido bem-haja à Io por este aquecedor de alma!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Estou lixado


Gosto de projectar, de marcar, de cortar e de montar. Não gosto de pintar ou envernizar, nem de aplicar velaturas. Dos produtos que se aplicam a pincel ou rolo, o único que escapa é o tapa-poros, que seca rápido. Agora seca, seca é lixar. A minha aversão a lixar é tal que compro compulsivamente todo o gingarelho que possa representar uma ínfima poupança de tempo ou esforço. Lixadeiras delta, vibratórias, excêntricas, de rolos! Senhores Bosch e DeWalt, inventem mais que essas já cá moram e eu continuo a perder muito tempo a lixar. Detesto lixar! Lixar está para o madeirame como passar a ferro está para as lides domésticas. Ainda hei-de arranjar uma mulher-a-dias só para me lixar as peças de madeira. E já agora, empreendedores de Portugal: para quando um Lixar-à-Sec!?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Pink Moon, de Nick Drake


Não é propriamente o primeiro. É o primeiro desta nova era. Difere da anterior por os discos serem comprados com dinheiro que me sai do lombo. Garanto, para um "Natural Born Pirata" é toda uma nova perspectiva. 20€ e 30€ por disco! Upa upa, puxadote! Adiante.

Se a decisão de escolher o LP que iria estrear o gira-bolachas não foi imediata, menos ainda foi a escolha daquele que seria a minha primeira compra, nesta nova era do vinil. Depois de ter reunido vários candidatos, decidi começar pelo princípio, e no meu caso princípio remonta ao ano da graça de 1972. Acabei assim por escolher um álbum do meu ano, um álbum com a minha idade: Pink Moon, de Nick Drake, edição especial de 180g. Não me vou alongar sobre Nick Drake, nem sobre este seu último álbum de estúdio (editado em vida). Deixo antes vários links como sugestão de leitura.

nickdrake.net
Nick Drake na Wikipedia (inglês)
Nick Drake na Wikipedia (português)
Nick Drake no MySpace


Nick Drake – Pink Moon (1972)

Lado A

Pink Moon
Place to Be
Road
Which Will
Horn
Things Behind the Sun

Lado B

Know
Parasite
Free Ride
Harvest Breed
From the Morning

E como aperitivo…


PM - ND

Amanhã vou acordar assim...

... de férias!!!

PS 1 - Quem fizer comentários jocosos sobre a quantidade das minhas férias (ex: "ah! estás sempre de férias e tal...") é uma das pessoas menos sexys do planeta!

PS 2 - Só para reforçar: quem fizer comentários jocosos sobre a quantidade das minhas férias merece um frúnculo no cóccix! (Acho que assim está melhor)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Adivinha

Qual é coisa, qual é ela, que tem a chave na ignição e o dono a mais de 1km a desbundar num festival?

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Optimus Alive [Fotos + Balanço]



É um facto incontornável, em três anos, o Alive tornou-se o grande festival citadino nacional. Depois do ano de arranque em que teve de ombrear (e no meu entender, sair vencido) com o melhor SBSR de sempre, nos últimos dois anos a concorrência foi simplesmente arrasada, tendo de sofrer downgrades para não sucumbir, deixando o Alive assumir o papel de grande festival de Lisboa. Apesar disto, não é o festival perfeito e, na minha opinião, há alguma (para não dizer muita) coisa a melhorar. Por isso, Sr. Covões saque lá do bloco de notas e comece a escrever, que consultoria festivaleira sénior é algo que se paga a peso de ouro, mas como eu hoje estou uns mãos largas…
1º - Acessibilidades
A parceria com a CP e a proximidade da Estação de Algés (comboios, táxis e autocarros) são mais valias fundamentais e praticamente resolvem a questão para os que vão de transportes públicos. Já para quem vai de carro, o cenário é o oposto. O Alive é o pior festival para se ir de carro, sendo que esta opção acaba sempre por se traduzir em voltas e voltas para estacionar, na maior parte dos casos em transgressão e bem longe da entrada. Penso que deveria ser articulado com as entidades responsáveis (APL, Câmara, etc.) uma solução (mesmo que paga) para o estacionamento automóvel. Por exemplo, poderiam ser aproveitadas zonas de estacionamento em Belém, Algés ou Estádio Nacional e criados shutles de ligação ao festival.
2º - Acesso
Outra que não há volta a dar. O Alive é o pior festival para se entrar e é-o por larga margem. Um festivaleiro demora mais tempo a entrar no Alive que um paquistanês num voo para Nova Iorque. Será que é pela segurança? Não, não é. Se quiser entrar com um faqueiro de cozinha ou com um tapperware de haxixe entrará sem problemas. O objectivo parece ser mesmo levar as pessoas a perder tempo. Aquelas passagens de meio metro, controladas por um ou dois seguranças, por onde punham milhares de pessoas a passar eram autênticas aberrações no que se refere à logística de acesso. Relativamente a esta questão, acho que nem é preciso dizer como se deve fazer. A concorrência está muito melhor neste aspecto, é só uma questão de ir ver como se faz e fazer igual.
3º - Recinto
O recinto é plano e está numa zona ventosa. Quanto a isto nada a fazer. Já a área em terra batida devia ser objecto de mais atenção, pois quando se levanta vento é penoso circular e, principalmente, estar na zona dos comes-e-bebes. Penso que se poderia melhorar este problema espalhando gravilha, ou outro material, ou em último recurso com aspersão periódica de água.
4º - Palco Super Bock
Curto e grosso: o som deste palco é uma caquinha. Tratem disso!
5º - WC
No caso dos homens, os urinóis estavam muito afastados do palco principal tornando em certos casos inevitável a “mijadinha fora do penico”.
6º - Excesso de oferta musical
Esta admito que é um pouco paradoxa e tem a ver mais com uma opinião pessoal, mas se dois palcos já representam música a mais, três palcos então é um verdadeiro atentado. Poluições sonoras à parte (que eu já dou de barato), penso que hoje em dia, com a oferta musical em rádio, televisão e principalmente internet, o ouvinte de música, tirando a franja do metal, tem um leque de abrangência muito grande, sendo normal gostar-se de vários estilos de música (pop, rock, electrónica e suas subvariantes). Deste modo, a divisão entre dois palcos de bandas de renome, mesmo que de estilos diferentes, acaba por se traduzir na velha máxima “ter mais olhos que barriga”, neste caso “mais olhos que ouvidos”. Para mim, foi especialmente penoso estar a ouvir Placebo e saber que estava a perder um concerto de Fischerspooner, ou então, estar a ouvir The Kooks sabendo que estava a perder Hadouken!, idem para Metallica / Cristal Castles. Aqui talvez me possam dizer: “Deixa-te disso que isto é assim em todo lado!”. Talvez, mas mais uma vez tenho de mencionar o SBSR 2007 (perfeito em termos musicais) ou então o formato soundclash utilizado pela Vodafone no seu evento musical, que quanto a mim aproveitam melhor a potencialidade das bandas participantes. Para aqueles que eventualmente não gostam de uma ou outra banda desta “oferta única”, há toda a oferta não-musical proporcionada pelo festival e é mesmo por aqui que vou começar a referir os pontos positivos do Alive.
1º - Oferta não-musical
Muito bom. Pode melhorar mas já é sem dúvida muito positiva. Desde os comes-e-bebes com zona de bancos e mesas, às lojinhas de discos, roupa e merchandising, passando pelas actividades dos patrocinadores, às exposições, à fanzone, o Alive pode gabar-se de ser, mais do que um evento musical, um evento de entretenimento.
2º - Som do palco principal
Tirando algumas falhas, notórias em Black Eyed Peas e The Prodigy, o som e as luzes deste palco estiveram muito bem.
3º - Bengaleiro para capacetes
Excelente ideia. Podia era estar melhor sinalizada para não acontecer chegar-se à última barreira e mandarem-nos para trás para deixar o capacete, tendo depois de ir para o princípio da fila.
4º Caixotes do lixo
Em número mais que suficiente e a apostar na diferenciação da recolha para reciclagem, o que conjugado com um bom serviço de limpeza resultou num recinto de um modo geral limpo.
Podia ainda dar meia dúzia de sugestões de melhoria mas este post já vai muito longo e como disse, a consultoria festivaleira sénior paga-se bem. Fico-me então por aqui e para o ano há mais.

domingo, 12 de julho de 2009

Alive and rotting

O bom: perdi três quilos. O resto: cheiro mal de um modo geral; tenho o cérebro a fazer jogging dentro do crânio; do nariz e da boca são expelidas substâncias desconhecidas da ciência; a garganta dói-me e quase não tenho voz; o estômago virou-se do avesso mas sem ser pelos vincos; as tripas estão à moda do Porto 0 – Manchester 1; mais abaixo há quem reclame que quer tudo de pernas para o ar; não é o caso dos pés porque os comatosos não reclamam.
Ah! Se soubesse que era assim… repetia tudo outra vez!

Optimus Alive - Dia 3

Depois da maratona de ontem, o terceiro dia do Alive tinha de ser muito bem gerido para estar na minha melhor forma no sprint final. A prova começou com uns Los Campesinos! a confirmarem as minhas melhores expectativas, num concerto repleto de pontos altos. Há por exemplo uma altura em que o guitarrista dá uma grande golada numa lata de Super Bock para depois a utilizar para fazer um solo. Não sei se é claro para todos, mas todo aquele que faz um solo de guitarra com uma lata de Super Bock merece todo o meu respeito. Mais tarde o vocalista confessaria que a banda é fã do Benfica, deitando assim por terra a hipótese de haver mais alguma coisa entre nós que a minha admiração.



Seguiu-se uma curta audição de Madame Godard. A repetir no futuro.



Tempo ainda para ouvir alguns clássicos entoados pelo Chris Cornell como: Hunger Strike, Black Hole Sun e Spoonman.



O segundo nome que vinha marcado no horário era Linda Martini. Antes de mais, um reparo à organização. Quem mete Linda Martini no Palco Discos (nanopalco para os amigos) não sabe o que anda a fazer e o concerto que deram foi a melhor prova disso. Grande concerto da banda de Coimbra, que me vai fazer andar de olho no myspace deles, em busca de uma data compatível para os ir ver em nome próprio. Alguém disse Manique do Intendente, em Agosto?



Para repor energias, o belo do hamburger da Carnalentejana (o melhor dos festivais), deglutido ao som de Autokratz.



Depois houve que preparar a prova final e para tal havia que reservar um bom lugar. Para isso nada melhor do que assistir ao final do concerto de Black Eyed Peas.



E por fim o momento tão aguardado. A razão, acima de todas, que me fez comprar o bilhete para este festival. Depois de 18676 horas, 7 minutos e 32 segundos, o meu coração voltava a bater ao ritmo da bateria de Carter Beauford. Muitas vezes dei por mim a questionar-me se o concerto de há dois anos aconteceu mesmo, ou se tudo não passou de um sonho. Hoje tenho a certeza que foi um sonho… porque voltei a sonhar tudo outra vez!

sábado, 11 de julho de 2009

Optimus Alive - Dia 2

Autêntica maratona musical! 8 horas e 36 minutos a ouvir música, que é só a melhor marca do ano. No fim, não podia com um copo de cerveja pelo rabo mas isso são outros quinhentos.

Destaques da maratona

Eagles of Death Metal (só uma amostra)



Late of the Pier



Hadouken! (surpresa 1)



The Kooks



Blasted Mechanism



Coldfinger (surpresa 2)



Does it offend you, yeah?



Placebo (concerto da noite)



Fischerspooner



Prodigy (terraplenagem da noite)



The Ting Tings



PS - Post a editar quando houver vagar. E agora se me dão licença, tenho uma piscina e três miúdas em bikini à minha espera. OK, e um marmanjo que também não é má pessoa, vá!
[Edit: seis miúdas. Estava a esquecer-me das mães]

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Optimus Alive - Dia 1

Um dia musicalmente muito abaixo das expectativas. O som do palco Super Bock, aquele cujo cartaz mais me atraía, esteve simplesmente horrível. Mal empregues Silversun Pickups, Air Traffic e TV on the Radio! Quando chegou a vez de Klaxons, que também pretendia ver, nem arrisquei colocar em risco a boa impressão que tinha deles da actuação no SBSR de 2007 e zarpei para o palco principal. Felizmente, ontem, tive a companhia de vários amigos, alguns que já não via há muito tempo, o que compensou a má prestação musical deste festival. Isso e Metallica, claro!

Reportagem aqui.

Ode à Catchamela

Catchamela*

É um termo que apenas umas 30 pessoas (se tanto), de proveniência bem definida, conhecem e sabem o significado… até agora! Os gramáticos de serviço dirão que se trata de gíria, eu gosto de pensar nela como um nanoregionalismo. É uma palavra que se pode considerar nova, recente. Tem cerca de 17 anos. Foi inventada por um amigo, para descrever o comportamento de outro amigo comum. Na sua origem está um prazer incompreendido. Refiro-me concretamente ao prazer de andar de mota. Aos 16 anos, a liberdade proporcionada por uma mota era (e ainda é) algo de incrível. De repente, a cidade ficava do tamanho de uma aldeia. As praias, os cinemas, as discotecas, tudo era “logo ali”. E os amigos faziam-se cada vez mais longe. Nessa vertigem de prazer, arrancar com a mota ruas e estradas fora era absolutamente irresistível, mesmo que não houvesse uma razão a justificar os quilómetros percorridos. O termo catchamela nasce assim para descrever um passeio de mota sem nenhum objectivo, que não o próprio prazer de andar de mota. É, como cantava o Luís Represas, na 125 Azul, o “partir sem destino nenhum”.
Para simplificar a vida aos senhores que hão-de fazer os dicionários da Língua Portuguesa, daqui a uns anos, deixo já a entrada:

Catchamela – s. f. o acto de passear, de percorrer ou fazer percorrer uma certa extensão de caminho por prazer;
dar uma catchamela – dar um passeio
andar às catchamelas – andar às voltas
és um catchamelas - és errante, aéreo (com a cabeça no ar)

* - Respondendo à Io, a quem agradeço desde já a visita e o comentário que muito me honram.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Mas com corpinho de 36!

- Então,sempre vais ao Alive?
- Sim, comprei hoje o bilhete.
- Os três dias?
- Sim.
- Não tens vergonha!? Pareces um puto de 18 anos!
- Obrigado, tu também não estás nada mal!
- E sempre levas mota?
- Levo a mota para Lisboa mas o meu pai vai-me lá pôr.
- Correcção: pareces um puto de 15 anos!

Apelo

Por favor, matem o Michael Jackson!!!

Gunzoners - 6º Aniversário


Uma coisa garanto: a cerveja será muito mais barata que no Delta Tejo.
Apareçam!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sopa de cação

Afinal tudo se resolveu com uma ida ao Continente da Amadora, onde se encontrava todo o cação disponível para a zona de Lisboa, ao módico preço de 14,79€/kg. É caso para dizer: nunca se encontra uma Alta Autoridade para a Concorrência quando é preciso uma! Desdramatizado o drama, caçãozinho do melhor no saco e siga para Sopa de Cação, naquele que foi mais um jantar ajantarado em contexto laboral, desta vez com a participação de altas patentes que se juntaram às patentes habitues.

Ingredientes (para 7 atletas)

2kg de cação cortado às postas
1 molho grande de coentros
1 cabeça de alho
1 folha de louro
1 malagueta pequena
1 limão
1dl de azeite
1dl de vinagre de vinho
100g de farinha de trigo
1kg de pão alentejano cortado em fatias finas
Sal, pimenta e água q.b.

Preparação

Tempere o cação com sal e pimenta e regue com sumo de limão. Pique os alhos muito bem picadinhos, deite numa panela grande, regue com o azeite e refogue em lume brando. Quando os alhos estiverem meio cozinhados, junte os coentros e a malagueta também muito bem picados assim como a folha de louro. Passado uns minutos – com o cuidado de não deixar queimar nem os alhos nem os coentros – regue com água previamente aquecida (para poupar tempo). Quando levantar fervura, junte o cação e deixe cozer cerca de 10 minutos, sempre em lume brando. Ajuste de sal. Depois de cozido o cação retire as postas e reserve. Retire também alguma água da cozedura e dissolva nela a farinha e o vinagre. Se necessário triture com a varinha mágica para dissolver eventuais grânulos. Deite este preparado na panela através de um passador, novamente para evitar a formação de grânulos no caldo. Deixe ferver por 5 minutos para engrossar ligeiramente. Sirva em malgas, ou pratos de sopa, da seguinte maneira: coloque algumas fatias de pão, a dose de cação e regue com o caldo.

Help!

Neste momento o drama da minha vida é saber onde posso encontrar 2kg de cação.

terça-feira, 7 de julho de 2009

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Delta Tejo - Fotos

Delta Tejo - dia 3

A kizomba dos Irmãos Verdade e os ritmos brasileiros de Alexandre Pires a confirmarem pela enésima vez que, ao contrário do sangue (que é O+), em termos de ouvido sou AB+, ou seja, receptor universal. Haja boa disposição… E boa disposição foi o que não faltou, ao muito público que participou neste último dia de Delta Tejo e que foi, ele próprio, um espectáculo dentro do espectáculo, pelo menos para mim, que gosto de apreciar o trabalho de quem percebe da poda no que se refere a abanar o esqueleto. Um regalo... a repetir para o ano!



domingo, 5 de julho de 2009

Festival Panda



Cá em casa o verbo conjuga-se:

Eu festivou
Tu festivais
Ela festivai
Nós festivamos
Vós devíeis festivir
Eles se não festivam que festivassem

Uma coisa de cada vez

- Então Crama, não danças!?
- Não, não sou muito dado ao multitasking, só consigo fazer uma coisa de cada vez...
- Como assim!?
- Ou danço, ou estou sóbrio.

Delta Tejo - dia 2

OqueStrada, ou dar por mim, especado em frente a um palco, com um sorriso rasgado e parvinho, a controlar uma vontade enorme de dançar e pular como se o mundo acabasse amanhã. Como se pode perceber, estou (artisticamente) apaixonado pela Miranda e sus muchachos.



Deolinda e a satisfação de assistir ao desempenho de uma máquina cada vez mais oleada e rodada e por isso mesmo, com performances cada vez melhores. Completamente topo de gama, neste Delta Tejo. Qualidade de som como raramente se ouve em festivais, aproveitada por uma Ana Bacalhau simplesmente arrasadora.



Vanessa da Mata. Um concerto que começou (muito) atrasado e algo morno. Melhorou, em crescendo, com o decorrer da actuação justificando a espera e o derradeiro esforço. Pode ser considerado por alguns um tanto ou quanto desfasado para o contexto festivaleiro. Me likes.

sábado, 4 de julho de 2009

Delta Tejo - dia 1



Estreia para mim neste festival que, para já, está a exceder as expectativas. Logo à entrada, nota positiva para o recinto. Gostei da sua inclinação natural, que permite bons locais de visualização sem ser “lá no meio da molhada”. Gostei dos comes-e-bebes distribuídos, que evitam grandes deslocações, e da sombra das árvores, factor sempre importante para este branquela que gosta de ir abrir as portas dos festivais. Ainda antes de entrar, gostei também das acessibilidades e da facilidade de estacionamento, nada a ver com a confusão habitual do Alive. Continuando nos pontos positivos, gostei do programa do palco principal iniciado pelos brasileiros Monobloco que geriram muito bem a ingrata tarefa de abrir as hostilidades ainda com o sol bem alto e com pouca massa crítica (leia-se público). Conseguiram reunir uma excelente moldura humana (estava a ver que não escrevia moldura humana neste blogue!) e pô-la a dançar sob os ritmos do samba, do frevo, do funk, do… eu sei lá o quê! O grupo seguinte – os Orishas – não me cativaram tanto. Apesar dos ritmos caribenhos temperados de electrónica, as perninhas por esta altura já diziam: “Ó Craminha vai lá com calma que ainda só são 9 horas!”. Seguiu-se Baju Banton, esse grandessíssimo filho da Jamaia, que levou o Alto da Ajuda até à sua ilha natal, pondo novamente uma grande maralha a dançar numa festa reggae em Kingston. Como se pode depreender, nesta altura as pernas já viam a sua vida a andar para trás. Acto continuo, nova viagem, desta vez à Nigéria de Nneka. Era uma das actuações que mais me aliciava neste dia, mas o som da tenda e os Skank a bombar no palco principal retiraram alguma magia ao soul africano da menina do cabelo espetado. Ainda assim, alguns bons momentos com destaque para VIP e claro Heartbeat. Como disse, enquanto Nneka actuava, deu-se início a actuação de Skank e bombar é de facto o termo que define o concerto destes mineiros. Grande som e grande prestação do Samuel Rosa, vocalista cheio de carisma que não tem medo de assumir as despesas do jogo (dá para perceber que estou a libertar o Gabriel Alves que há em mim). Last but not least, Bajofondo Tango Club, os argentino/uruguaios que fazem com que a conta “Tango + Electrónica = Gotan Project” não seja uma verdade absoluta. Grande prestação a transformar outra vez o Alto da Ajuda em megadiscoteca e a dar o tiro de misericórdia na minha metade inferior. Isto foi o bom, agora vamos ao menos bom: Cadeiras! Quem diz cadeiras, diz bancos, pufs, troncos, qualquer coisa, mas por amor da santa arranjem mais sítios onde se possa arrear o backside e dar descanso aos jambons! Também me desapontou o segundo palco, principalmente pelo som e pelo ruído vindo do palco principal. Agora verdadeiramente de bradar aos céus foram os preços praticados nos comes-e-bebes. 2,5€ por uma cerveja!!! 3,5€ por qualquer coisa para trincar!!! Eu compreendo que a prevenção de acidentes rodoviários aconselha a implementação de métodos que reduzam o consumo de álcool e nesse aspecto o Delta Tejo tem resultados primorosos mas, se me permitem, só uma pergunta parva: e quem não tem de conduzir!? Repito: 2,5€ por uma cerveja!!! Já vi comas alcoólicos mais baratos!!! Xor Nabeiro, veja lá isso.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Master of Puppets


O brinquedo chegou hoje e é a coisa mai linda do mundo!!! E o melhor é que não é algo que em três tempos esteja a debitar decibéis. Não senhor, dá trabalho, dá luta! É preciso montar porque vem às peças, é preciso afinar com precisão e paciência de relojoeiro – nivelar, ajustar a correia do motor, o peso da agulha, o ângulo vertical – e depois sim, ligar os cabos e desfrutar. É giro isto do vinil, ou melhor “deste vinil”. Faz lembrar as motorizadas 50cc. Dá para inventar e brincar aos mecânicos. Este meu até já vinha kitado e tudo. A célula de origem deu logo lugar a outra mais xpto. Está impec e soa que é um luxo, apesar de lhe faltar a rodagem. E por falar em rodagem… Qual o LP que teria a honra de estrear o biju? Foi a dúvida que se colocou no final da montagem. Depois de passar em revista a colecção de vinis, decidi que inauguraria a nova era do vinil com o Master of Puppets, dos Metallica. Recebi este disco no meu 14º aniversário. Foi prenda da R. que me o ofereceu por sugestão do metaleiro do sobrinho. Na altura, o rock mais pesado que eu ouvia seria Bruce Springsteen, ou algo por aí. Lembro-me perfeitamente, quando tirei o disco do embrulho. A primeira reacção foi de espanto. Nunca tinha visto um Picture Disc. Já Metallica não me dizia nada. Prato a girar e passados uns segundos os primeiros acordes de Battery. A princípio agradou-me a introdução de guitarra mas aos primeiros reefs frenéticos a reacção ficou entre o medo e o trauma. Não estava preparado para aquilo. O disco recolheu à embalagem e ali esteve durante anos. Só após o lançamento de Metallica, o álbum preto, que em 1991 massificou o fenómeno Metallica (quer queiram, quer não) é que me lembrei que tinha, lá no meio dos vinis, nesta altura já encafuados dentro de um armário, algo desta banda. Quando redescobri este disco fiquei siderado. É, de todos os álbuns que tenho, aquele que está mais perto do conceito de jóia. Tenho-lhe uma estima imensa. E continua a soar que é uma maravilha apesar de precisar de uma limpeza a fundo, como todos os outros discos. Melhor que isto só ao vivo. Por falar nisso… falta uma semana! Hell Yeah!!!

Metallica - Master of Puppets (1986)

Lado A

Battery (5:10)
Master Of Puppets (8:38)
The Thing That Should Not Be 6:32
Welcome Home (Sanitarium) (6:28)

Lado B

Disposable Heroes (8:14)
Leper Messiah (5:38)
Orion (Instrumental) (8:12)
Damage, Inc. (5:08)

Monólogos da Vagina

Calma, calma! Não é mais um post provocatório. É mesmo a peça que os Crama foram ver ontem e que recomendam vivamente.

PS - Um grande bem-hajas G.!


Eu hoje acordei assim

quarta-feira, 1 de julho de 2009

"O que é que está a fazer uma gaja em bikini no teu blogue!?"

Por mais que eu tentasse explicar que a Gisele não existe, que não há mulheres assim, que aquilo mais não é que o resultado de softwares informáticos state-of-the-art e de computação gráfica levada ao extremo, a Provedora do Blogue (aka Censora-Mor) fez saber que discorda da publicação daquele tipo de conteúdos, num nível que fica assim entre o tapete da rua e os sacos do Continente à porta.
Face ao exposto, a Administração do Tasco vem por este meio informar todos aqueles que pensavam vir para aqui à procura de fotos da Adriana


da Heidi
da Doutzen
da Miranda

e de outros softwares que tais, que este blogue é pouco dado às novas tecnologias.