terça-feira, 9 de setembro de 2008

The Gutter Twins @ Santiago Alquimista

Depois do Vodafone Soundclash do ano passado, cortesia do Sr. Carrapatoso, calhou este ano a honra da organização do meu concerto de aniversário ao Sr. Covões e sus muchachos da Everything Is New. E que belo trabalho fizeram os senhores! Batidos que estão nestas andanças, trataram de assegurar um concerto dos The Gutter Twins, mesmo antes destes terminarem a sua digressão, tendo reservado o “cosy” Santiago Alquimista para o efeito. A escolha da sala, apesar de ser uma das minhas preferidas, era à partida o meu principal receio. Conhecendo o poder do som dos GT tive receio, não só pelas fundações do Santiago, mas também pela estabilidade geotécnica de toda a encosta de Alfama. Já em frente ao palco, os meus receios não só não se dissiparam como ainda se agravaram. Com um set de instrumentos que inclui quatro guitarras, dois conjuntos de teclas, para além do baixo e bateria, os GT impressionam ainda antes de entrarem em palco. Felizmente a sala aguentou o impacto e penso que não devem ter sido provocadas grandes danos na encosta. Fora de brincadeiras, acho que o som e a qualidade dos GT mereciam um espaço um pouco maior, pelo que, no meu entender, o concerto de ontem foi acima de tudo um enorme privilégio, a que só acederam um punhado de grandes sortudos. Também, tratava-se da minha festa de aniversário, não é verdade!?

Em termos qualitativos torna-se difícil para mim definir a actuação de Gulli, Lanegen e Cia. Lda.. “Bom” raia o insulto. “Extraordinário” será uma aproximação que peca muito por defeito. “Magnífico” e “excelente” podem-se considerar já termos aceitáveis, sobrando “sublime” que talvez seja o adjectivo mais apropriado. Depois pode-se partir para as expressões compostas como: “fora de série”, “do outro mundo”, não esquecendo o metafórico “esmagador”. Mesmo assim acho que para se fazer justiça ao concerto dos Gutter Twins, ontem, no Santiago Alquimista, tem de se reunir o significado de todos estes adjectivos, e juntar talvez ainda o “overwhelming” do inglês, para uma correcta descrição. De salientar ainda o excelente comportamento do público, com excepção de um pequeno problema de carácter suda-olfactivo, não foi meninas!?

Como complemento deste post, fica a reportagem do Diário Digital:

Gutter Twins no Santiago Alquimista: Sinergia mágica
Por Ana Rodrigues

"Não fosse uma interrupção inesperada da digressão na primavera e teríamos recebido os Gutter Twins bem mais cedo. Para todos os efeitos, considere-se a dívida saldada.

Desengane-se quem pensava que os Gutter Twins viriam a Portugal apresentar «Saturnalia», o primeiro e único álbum da carreira deste colectivo formado por Greg Dulli e Mark Lanegan. Na verdade, este trabalho é apenas o pretexto que faltava para uma digressão conjunta de dois dos maiores vultos do rock norte-americano dos últimos tempos. Sendo bem conhecida a afinidade de longa data entre o mentor dos saudosos Afghan Whigs e o compositor/cantor/autor/produtor/colaborador de tantos projectos que é escusada a menção, quem foi ao Santiago Alquimista nesta noite procurava, acima de tudo, estar simplesmente na presença do génio destes gémeos de mães diferentes. Sim, é verdade que existe um registo discográfico recente a promover, mas é também verdade que são os próprios autores a descurá-lo, preferindo não uns breves acordes mas sim uma desmedida incursão pelo passado.

Neste espírito de ressurreição trouxeram «Bonnie Brae», o arrepiante «Blackberry Belle» ou «King Only», o melhor do espólio dos não tão distantes Twilight Singers – prendas recebidas com surpresa mas com a inegável satisfação de quem teve mais do que estava à espera. Seja como for, no presente ou no passado, nos blues ou no rock, impressiona a graciosidade da sobreposição de duas vozes tão distintas e inconfundíveis. E deslumbra sempre a forma como tal disparidade de essência e postura (entusiasmo e dinâmica de Greg versus semblante carregado e apatia de Mark) transmite uma química tão sincera que consegue siderar os menos impressionáveis e desarmar uma sala inteira."

Uma última nota para o sorriso esboçado pelo Mark Lanegan, na sequência de uma conversa com o Greg Dulli. Afinal a foto da contra-capa do Saturnalia não é uma montagem. O gajo é humano!

Posto isto, resta-me apenas começar a pensar no concerto de aniversário do próximo ano. Dando continuidade ao sistema de rotatividade, depois da Vodafone e da EIN, propunha que o concerto de 8 de Setembro de 2009 fosse organizado pela Undergrave. Eu sei que a fasquia ficou muito alta para a Rita e para o Kraak mas tenho a certeza que eles estão à altura. Que me dizem rapazes?

3 comentários:

rita maria josefina disse...

para tu veres o quanto eu amo estes gajos ate suportei um gajo q n devia tomar banho há meses, à minha frente, que nem uma miúda grande!
nem tenho palavras para descrever o concerto de ontem... só sei que sou muito nova para emoções tão fortes e já vão 3 este ano! (The National, Nick Cave, e Gutter Twins) CATANO MEU!!!!

vamos pensar no dia 8, com muito carinho :P
:D

Kraak disse...

Pois... se o concerto se tivesse realizado na 1ª data anunciada, poderia ter partilhado esses momentos convosco... Deste modo, ficou adiado para uma próxima oportunidade...

Quanto ao dia 8... Hum... a fasquia é alta, mas o desafio é pertinente. Vamos ver, Crama. Tens é que me dar um adicional pq normalmente tenho férias em setembro, hehe! :P

Já agora, PARABÉNS!, mesmo que atrasados. :D

Hugzz!

Crama disse...

Pensem lá nisso então. Adicional é que não pode ser nada! :)

Obrigado Kraak!